Presentes & Felicitações = Gratidão

Recebi centenas de felicitações pelo dia de ontem… Facebook, Whatsapp, telefone, apertos de mão e abraços, foram os instrumentos do imenso sentimento que recebi.

Sou grato, muito!

A vida me fez assim… humilde e agradecido.

Aos meus, o meu muito obrigado.

Aos antigos que ainda continuam compartilhando a mesma “vibe”, a cumplicidade, que é irmandade, é laço que une.

Aos que lutam ao meu lado, a certeza que não somos carne de trincheiras…

E quero dedicar a todos vocês essa GRANDE homenagem que recebi do GRANDE Paulo-Roberto Andel.

Mas sem qualquer tipo de máscara ou prepotência… Mesmo tendo sido apenas mais um e me considerando apenas mais um, fico feliz em saber que pude abrir horizontes e, dentro da minha trajetória, mostrar o que deve ser “SER FLUMINENSE”.

Assim sendo, a idade permite que eu não utilize o freio na hora de falar:

LUTEM PELO FLUMINENSE!!! E essa luta tem que ir MUITO além das arquibancadas… ela tem que estar VIVA dentro do clube.

I

Os garotos que seguiam aqueles outros garotos um pouco mais velhos, nas arquibancadas que gritavam pela salvação do Fluminense, foram os mesmos que passaram a perseguir o time tricolor para sempre. Menos de um ano após o caos, o Flu tinha um dos times mais vencedores de sua história.

Saudosismo à parte, aquela mesma constituição de torcida nunca mais aconteceu. Os tempos mudaram, novas festas vieram, dramas também, as cores vibraram, mas ficou diferente. Os mesmos que vieram de lá até hoje buscam aquela magia perdida desesperadamente. Era o Fluminense, eram as bandeiras em fila indiana a vinte minutos dos jogos, era o céu branco de pó de arroz, era a Fôrça Flu.

Os que lá estiveram entre 1980 e 1985 hão de entender. Foram tempos incríveis. Entre o caos e a glória, cada dia no Maracanã valeu por um ano. Éramos diferentes, éramos todos um só abraço.

II

O valor e a grandeza de um homem podem ser medidos por seus atos, mas também pela ojeriza que despertam em criaturas menores, daquelas que preferem o jogo rasteiro porque desconhecem o que é estar no alto, até mesmo quando fingem tal posição.

Quanto mais mal falado por medíocres e mentirosos, mais valoroso é um cidadão.

III

Ninguém garante talento, caráter e admiração por conta de likes e compartilhamentos. É preciso ter realizações e história. É preciso não ter preço.

IV

Um abraço hermano, um grande domingo e uma noite de alívio no que sobrou da casa das nossas infâncias.

Há muito a ser feito. Cada dia é um ano.

Tal como o sol da poesia de Cartola, o Fluminense nascerá.

A Antonio Carlos Gonzalez

@pauloandel

 

 

30 de abril de 1981: O dia em que a Força Flu quase perdia toda a sua diretoria assassinada

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Valia a pena fazer aquela viagem para o Riocentro, um showzão com as figuras de ponta no cenário da Música Popular Brasileira, para comemorar o dia 1º de maio, o Dia do Trabalhador.

Por outro lado era bom sentir que a CULTURA havia se transformado na maior forma de resistência.

E se a gente fizesse aquilo ao lado da galera da Força Flu (eu ainda não havia assumido à presidência, OFICIALMENTE,  mas era a cabeça pensante): Partimos em 2 carros, no do Beto Gordo e no do Alexandre. Éramos 9 cabeças, sendo que 5 deles pertenciam à diretoria da torcida.

Na boa… tinha tudo para ser um showzão da porra… um escrete de artistas consagrados, a nata da poesia, principalmente com os nordestinos que ensinaram ao país o que seria a grande onda a partir dos anos 70… A chegada dos Ramalhos (Elba e Zé), do Fagner, do Alceu Valença, do Djavan, do Geraldo Azevedo, do Belquior, Moraes Moreira e Simone, entre outros,  havia rejuvenescido aquela MPB que se viu ameaçada pela mordaça e pelo chicote (a partir do AI-5) principalmente o Gilberto Gil, o Chico Buarque e o Caetano Veloso.

Podemos dizer que aquela galera nordestina trouxe o oxigênio que reacendeu a brasa da nossa música.

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Mas aquela noite, que das portas para dentro do recinto do Riocentro fora épica, pela sorte do destino não foi trágica…  20 mil pessoas tiveram as suas vidas em jogo.  Quis o destino que uma das bombas que seriam colocadas explodissem antes do tempo.

 

Essa noite acabou sendo conhecida como a das BOMBAS no Riocentro.

 

Recorrendo às hemerotecas encontro essa matéria do jornal O GLOBO (https://infograficos.oglobo.globo.com/brasil/cronologia-do-atentado-do-riocentro.html#0) que fala sobre a cronologia do atentado:

1974

Abertura política

Desde o governo Ernesto Geisel anunciar uma lenta abertura política rumo à democracia, setores ligados à repressão da ditadura começam a se articular para evitar a perda de poder e importância. Bastante poderosos nos governos de Costa e Silva e Médici, órgãos como o Destacamento de Operações de Informações (DOI) enfrentam um período de decadência, o que gera insatisfações.

 

 

1979

Terroristas de Direita

Inconformados com a perda de poder dentro do regime, setores mais ligados à linha dura do Exército criam um ‘Grupo Secreto’ para articular ações terroristas, que pudessem justificar um retorno da esquerda à luta armada. Dessa maneira, o aparelho de repressão poderia ser novamente utilizado, recuperando a importância de determinados setores do Exército. Na foto, o atentado a OAB, em agosto de 1980, que matou Lyda Monteiro da Silva.

30 de Abril, 1981

O atentado

Acontecia no Riocentro o show do Dia do Trabalho, que arrecadaria fundos para Partido Comunista Brasileiro (PCB). Cerca de 20 mil pessoas estavam no local. Segundo o MPF, o ataque ocorreria ali por conta de seu simbolismo contrário à ditadura militar. O planejamento dos militares era explodir três bombas na parte interna do pavilhão, parecendo que havia sido planejado por militantes de esquerda. Esses artefatos estavam no carro Puma do capitão Wilson Machado e um deles explodiu antes do planejado, ainda no estacionamento, matando o soldado Guilherme do Rosário. Machado ficou gravemente ferido.

Maio de 1981

Militares como vítimas

Logo após o atentado, o Exército instaura um Inquérito Policial-Militar (IPM) para investigar o caso. O resultado da investigação aponta que sargento Rosário, morto na ação, e o Capitão Wilson Machado (foto), ainda vivo, haviam sido vítimas do atentado. Embora bastante contestada por grande parte da sociedade e da imprensa, o Exército manteve a versão por 18 anos.

Março de 1999

Mudança de versão

Após O GLOBO publicar uma série de reportagens sobre o caso, a procuradora da República Gilda Berger pede a reabertura do caso em 5 de março de 1999. Entrevistas e novos fatos jogam por terra a antiga versão oficial. Um novo Inquérito Policial-Militar indicia o coronel Wilson Machado, que antes tinha sido apontado como vítima, e o general da reserva Newton Cruz. Em maio de 1999, o caso é arquivado pelo Superior Tribunal Militar, por enquadrá-lo na Lei da Anistia. As revelações rendem ao GLOBO o prêmio Esso de melhor reportagem.

Fevereiro de 2014

Novos denunciados

Após a redescoberta de uma agenda de contatos do sargento Rosário, em 2012 o jornal Zero Hora revela a existência de memorandos datilografados e também manuscritos do ex-comandante do DOI-Codi, Julio Miguel Molinas Dias, logo após o atentado. Um ano e meio depois, o Ministério Público Federal (foto) denuncia seis pessoas por envolvimento no caso. São elas: Divany Carvalho Barros, Edson Sá Rocha, Nilton de Albuquerque Cerqueira, Claudio Antonio Guerra, Wilson Luiz Chaves Machado e Newton Araújo de Oliveira e Cruz.

 

 

 

É interessante dizer que não foi o único atentado que ocorreu naqueles anos… Bancas de jornais, OAB, entre outros tantos… A gente lutava pela liberdade…

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Tempos difíceis…

Não nos deixavam falar, castravam as nossas vozes…

 

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Prendiam e arrebentavam…

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Censuravam a arte, manipulavam a informação…

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Faziam questão de tirar da frente quem pensasse diferente deles…

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Mas foi através dos trabalhadores organizados que a democracia deste país voltou a caminhar, a ir para as ruas, a conquistar espaços.

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De lá até os dias de hoje se passaram 37 anos… Por momentos pensei que jamais teria que voltar a conviver com a sombra do medo rondando as nossas vidas.

Amanhã  é com você, da mesma forma que o amanhã depende de você.

 

Em mome daquela diretoria da Força Flu eu queria agradecer ao saco (testículos e bolsa escrotal)  do soldado Guilherme do Rosário, que morreu após a bomba tem explodido no seu colo.

 

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Antes eles (os terroristas) do que nós.

38 anos depois a Força Flu segue VIVA!

Saudações TETRACOLORES

 

Para que quiser saber mais sobre o atentado (http://blogdopg.blogspot.com/2015/04/o-atentado-do-riocentro.html)

 

 

O atentado do Riocentro  (por Paulo Gurgel   –  Blog Entrementes)

Aconteceu a 30 de abril de 1981 o frustrado atentado do Riocentro. A bomba, planejada pelo SNI e armada pelo DOI-CODI carioca, explodiu minutos antes, ainda no estacionamento do Riocentro, dentro do Puma onde estavam dois agentes do DOI do I Exército. Ao explodir, a bomba matou o sargento do DOI Guilherme Pereira Rosário, que a levava no colo, e feriu gravemente o motorista a seu lado, o capitão do DOI Wilson Machado.
O desastrado atentado do Riocentro, que o Exército nunca assumiu “nem como desvio de conduta”, só não se transformou em uma tragédia nacional por conta da incompetência dos terroristas.
No site da Comissão Nacional da Verdade (CNV), com todas as letras, os comissários concluem que o atentado foi “um minucioso e planejado trabalho de equipe realizado por militares do I Exército e do Serviço Nacional de Informações (SNI) e o que o primeiro inquérito policial militar (IPM) sobre o caso, aberto em 1981, foi manipulado para posicionar os autores diretos da explosão apenas como vítimas”. Para o coordenador da CNV, Pedro Dallari, o caso Riocentro foi o último de uma série de 40 atentados, ocorridos entre janeiro de 1980 e abril de 1981, “que visavam dificultar a abertura política iniciada em 1979 e dar uma sobrevida ao regime militar”.
O almirante Júlio de Sá Bierrenbach, que depôs na CNV sobre o caso, era ministro do Superior Tribunal Militar (STM) quando o inquérito policial militar sobre o Riocentro chegou ao tribunal para ser julgado. O caso já veio arquivado da auditoria militar onde tramitou e o militar da Marinha foi o único a votar contra o arquivamento do processo e pedir que o capitão Machado continuasse como investigado e a apuração, retomada.
Para Bierrenbach, “o IPM (do Riocentro) foi uma vergonha e isso é facilmente demonstrável”. Ele afirmou considerar absurdas a absolvição e a promoção até coronel que Wilson Machado, co-autor do atentado, recebeu na carreira. “Vítimas, uma ova! Eles fizeram o atentado. O capitão vai ao Riocentro com uma bomba, a bomba explode. O colega morre. E ele é promovido. Isso é um absurdo!”, torpedeou o almirante. Ao contrário do que seria previsível num país sério, a explosão não implodiu a carreira do militar sobrevivente. O capitão terrorista do Riocentro, apesar de seu estrondoso fracasso, é hoje general reformado do Exército.
Segundo o relatório da CNV, apresentado pelo gerente de projetos Daniel Lerner, cerca de 20 mil pessoas estavam no Riocentro, na noite de 30 de abril de 1981, para assistir a um show organizado por Chico Buarque de Hollanda para o Dia do Trabalhador. O grupo que planejou o atentado conseguiu até que a Polícia Militar recebesse uma ordem para não realizar policiamento dentro do espaço onde ocorria o show.
Os dois militares terroristas do DOI-CODI — o sargento morto e o capitão socorrido com as vísceras de fora — não foram as únicas baixas da ditadura. A evisceração do regime foi ainda mais notável nos meses seguinte. O general João Figueiredo infartou na presidência, o general Golbery do Couto e Silva demitiu-se da Casa Civil, o general Octávio Aguiar de Medeiros (chefe do SNI) implodiu como virtual candidato a uma sexta presidência fardada e o regime militar definhou até morrer, sem choro nem vela, no remanso do Colégio Eleitoral que sagrou Tancredo Neves como primeiro presidente civil desde 1964.
Naquela noite, data do maior “acidente de trabalho” da escalada terrorista do DOI-CODI do Exército, o número de mortos e feridos do atentado poderia ser muito maior. Além da bomba que explodiu no estacionamento, outro artefato explodiu na casa de força do Riocentro. O objetivo era o corte de energia que impedisse o show e causasse tumulto, mas o artefato não causou o efeito desejado. Depoimentos apontam que duas bombas sob o palco foram retiradas do local antes de serem detonadas e testemunhas afirmam que havia outras duas bombas no Puma do DOI-CODI, que foram retiradas da cena do crime.
O tumulto previsível de explosões coordenadas em recinto fechado, com as portas de saída criminosamente trancadas com cadeados, certamente provocaria uma tragédia amplificada na platéia de 20 mil pessoas. E as bombas sob o palco, detonadas no momento esperado do encerramento, quando todos os artistas se reúnem para a apoteose final do show, produziriam uma hecatombe na Música Popular Brasileira. Junto com Chico Buarque, lá estavam 30 dos mais famosos e carismáticos astros da MPB. Entre eles, Paulinho da Viola, Luiz Gonzaga e o filho Gonzaguinha, Cauby Peixoto, Clara Nunes, Gal Costa, Ivan Lins, João Bosco, Alceu Valença, Elba Ramalho, Djavan, Fagner, Moraes Moreira, Ângela Ro-Ro, Simone, Zizi Possi, MPB-4 e Beth Carvalho.

(extraído deste artigo do jornalista Luiz Claudio Cunha para o Jornal JÁ, via site QTMD?)