50 anos de Força Flu em 50 imagens (por Antonio Gonzalez)

VINTE E CINCO DE NOVEMBRO DE MIL, NOVECENTOS E SETENTA… mais do que uma simples data, um verdadeiro marco na HISTÓRIA do Fluminense.

Em campo, entre outros: Félix, Oliveira, Galhardo, Assis, Marco Antônio, Didi, Cafuringa, Lula, Mickey, Samarone… liderados pelo Capitão Denilson, o Rei Zulu… nas arquibancadas nascia a lenda verde, a Força Flu.

Meu Tio Lorenzo já havia chegado em casa com a novidade: “Sou da Fôrça Flu” e me mostrou a carteirinha, sócio número 09… Fundador sim senhor, “A Organização em Torcida” dizia o impresso.

Mas antes de começar a listar as 50 imagens que escolhi, tenho a obrigação de falar dos primeiros passos. E para falar do começo era preciso pesquisar, as portas, onde bater, eu sabia onde estavam, obviamente nos álbuns da minha infância.

No México, no dia 26 de junho de 1970, o Tricolor João Augusto, conhecido como G.B., comemorava em pleno estádio Azteca a conquista do Tricampeonato Mundial, pela Seleção Brasileira.

Mas a leitura do momento exigia muito mais, do outro lado das arquibancadas a faixa da torcida italiana, com as cores do Fluminense, FORZA AZZURRA!

E a tradução imediata traduzida em ideia: FÔRÇA FLU (então existia o acento circunflexo na letra O).

João Augusto, o G.B.

Em questão de semanas a ideia começou a ganhar corpo, uma faixa surge no cenário. O Jornal do Brasil era um periódico de peso, seu Caderno B era imponente e o Zózimo era o melhor colunista social naquele 1970.

Jornal do Brasil, coluna do Zózimo, 5 de agosto de 1970 – a ideia ganha corpo

Os meses passam, o nosso time fez um Campeonato Brasileiro de excelência: craques e machos que nunca fugiram de qualquer guerra… tinha craque, tinha testículo… Aquele 0 x 3 no campeão do ano anterior, o Palmeiras, no dia 7 de novembro, em pleno Morumbi definia aqueles homens que dignificavam as nossas cores: 3 gols do Flávio, que foi expulso, o Félix foi o melhor em campo (defendeu um penalti) e o Galhardo não perdeu nenhuma disputa contra o perigoso César Maluco.

Nos classificamos para o quadrangular final ao empatar com o Atlético Paranaense, em Curitiba, gol do Mickey…

No primeiro jogo das finais, Maracanã, 1 a 0 no Palmeiras, Mickey…

16/12/1970… A segunda partida era contra o Cruzeiro de Tostão, Piazza, Dirceu Lopes, Raul, entre outros… Franco favorito, nós de azarão. 1 a 0, outra vez Mickey.

Na manhã do dia seguinte, o Centro da Cidade do Rio de Janeiro, em pleno cinturão nervoso da avenida Rio Branco, no auge da Ditadura, a TORCIDA DO FLUMINENSE transformou a anarquia em ordem do dia. E quem se atrevia a ir em contra da massa verde, branco e grená?

Jornal dos Sports – 18/12/1970
Caravana Força Flu – regresso de Belo Horizonte, em 1970
A TORCIDA DO FLUMINENSE saiu em passeata em plena Ditadura
Os 3 ônibus alugados à Viação Normandi chegando na Avenida Rio Branco

Definitivamente aquele foi o Batismo de fogo da Fôrça Flu… Zenildo Costa de Araújo, o 1º Presidente, há mais de 30 anos Benemérito do clube, comandava a massa.

49 anos e onze meses depois estamos comemorando o quinquagésimo aniversário da TFF. Colocarei aqui imagens que marcaram época, não pretendo fazer cronologia… Isso aqui é Força Flu, terra de “olho parado” (com a devida licença do Ninja, o Sincero)…

  1. Componente, Diretor de Relações Públicas, Presidente Interino, Presidente…. Caminho percorrido entre 14/07/1978 e 29/05/1981
Cheguei na TFF com 16 anos

2 – O Fla-Flu final em 1995… O gol de barriga tinha que receber uma recepção desse tamanho.

O inferno se vestiu de VERDE!

3 – O Edinho foi um dos maiores ídolos da HISTÓRIA do Fluminense. Último e legítimo representante da Máquina 75/76 a deixar o clube. O maior zagueiro que vi jogar, líder, artilheiro. Quando a diretoria decidiu vendê-lo a Força Flu foi para dentro. Capa do Jornal dos Sports.

E o pior, continuam lá, os que não gostam de torcedor e de futebol.

4 – A chegada de um craque internacional em 1984: Romerito desembarca vestindo a camisa da Força Flu, tendo o Heitor D’Alincourt como Mestre de Cerimônias que lhe ensinou o caminho das Laranjeiras.

Heitor D’Alincourt, MEU IRMÃO

5 – O primeiro Informativo. A transparência nascida nas arquibancadas. Nada a esconder. Julho de 1971, sempre com posicionamento: Tudo para o Fluminense.

08/07/1971

6 – 1981, passamos das 30 bandeiras… a torcida crescia, muito OLHO PARADO e isso era excelente. Voz e braço em crescimento.

Naqueles anos, a quantidade de bandeiras significava poder

7 – Revista Fatos e Fotos, 1973… a TFF serviu para ilustrar uma matéria sobre seguros para torcedores nos estádios. Naquele momento já era a maior da antiga Guanabara.

A maior da Guanabara

8 – O Jornal da Barra de propriedade do Pai do nosso componente Nilo Gazé, publicou um texto sobre a torcida. Em 1979 a Força Flu declarava guerra à política da administração de um dos piores Presidentes do Fluminense de todos os tempos: Sylvio Vasconcelos. Esse texto foi o primeiro aviso da nossa insatisfação. A TFF havia encorpado com muitos sócios do clube. Fórmula matemática sem erro: Força Flu + sócio do Fluminense. A nossa voz não tem preço.

FORÇA FLU, EXEMPLO DE FORÇA E DE FLU

9 – Em 1982 a coisa ficou feia. Certas derrotas se tornaram difíceis de aceitar. Uma delas foi para a Portuguesa da Ilha do Governador por 2 a 1 em pleno Maracanã, num sábado à tarde, com 2 gols do Rico, ponta direita, revelado pelo Botafogo. Teve jogador que nunca mais vestiu a camisa do Fluminense.

A Torcida sempre foi soberana

10 – 1982 foi um ano de muitas lutas: diversas pichações, visitas a dirigentes, conversas diretas com jogadores… isso aqui é Fluminense. A minha geração exigia um Flu Forte.

A Força Flu em estado puro

11 – Mesmo nos piores momentos como em 1979, a festa sempre esteve presente. A nossa maior senha de identidade, o talco, o pó de arroz, sempre esteve nas arquibancadas.

A Força Flu voltava a ter voz definitivamente

12 – A primeira carta para o Jornal dos Sports, 29/09/78. A página 2 do JS era sagrada, nessa publicação eu entrava sem bater na porta.

A primeira carta a gente nunca esquece

13 – Destemidos, a Torcida do Fluminense em 1981 bateu de frente contra o maior órgão da Ditadura relacionado aos esportes… O CND, Conselho Nacional de Deportes. 39 anos depois continuamos aqui, na luta. Sem medos. TRICOLORES NÃO CONFUNDAM FIDALGUIA E NOBREZA, COM SUBMISSÃO E SUBSERVIÊNCIA. O curso de Datilografia, na Remington, numa sobreloja da rua México, servia e muito, para as Notas Oficiais que eram escritas lá em casa.

Interesses estranhos sempre prejudicaram ao Fluminense.

14 – No início de 1980 a Torcida resolveu lançar outro Boletim Informativo… Aquela Remington 20 (máquina de escrever) foi fiel companheira, as arquibancadas entendiam através daquelas letras que a Força Flu era mais do que uma Torcida Organizada.

Boletim Informativo – 1980 – Fotocopiado em plena LBV

15 – No início de 1983 já tínhamos 70 bandeiras, mas a ambição era passar das 100. As grandes da época tinham essa marca.

Esse colorido era marca da casa

16 – A credencial da SUDERJ servia para ter livre acesso ao Maracanã e a todos os estádios do Rio de Janeiro. Essa é a de 1984. Ter esse documento me permitia entrar no Maracanã em qualquer dia da semana, a qualquer hora e nos dias de jogos do Fluminense, antes dos portões abrirem. Todo um ritual. Teve domingo, com partida às 17 horas, da gente chegar às 9 da manhã. Na final de 1980, dormimos na sala, de sábado para domingo. Simples assim!

A responsabilidade e os deveres de uma credencial eram pesados. Começando que a PM te chamava pelo nome

17 – Fluminense x Americano, 1995, nas Laranjeiras. Festa, sempre muita festa. Como sempre marcando tendência… O inferno se vestia de verde.

Laranjeiras é a nossa casa

18 – Caravanas… 1981… tomamos uma decisão… em todos os jogos fora do Rio a nossa faixa tinha que estar presente. Canindé, Fluminense x Portuguesa, 2 ônibus.

Nesse jogo, no centro da cidade de São Paulo, na na praça próxima à antiga rodoviária, ecoou o nome da Força Flu

19 – Logo assim que cheguei em julho de 1978 a situação era triste: 1 faixa cheia de buracos, 3 bandeiras rasgadas e 1 surdo furado. RECONSTRUÇÃO foi a palavra de guerra. ESSA FOI A PRIMEIRA BANDEIRA QUE DEI PARA A FORÇA FLU… Ainda novo na arte de pintar bandeiras, utilizei tinta cara e pincel diminuto. Cheguei no Maracanã sem avisar a ninguém o que tinha entre mãos. Quando a bandeira apareceu sozinha saindo do túnel do meio de campo poucos entenderam. Prazer, pode me chamar de Antonio.

A primeira bandeira a gente nunca esquece

20 – 1995 na final do carioca a Força Flu apresentava o seu primeiro bandeirão, que levava o patrocínio da Veggi. Foi uma das surpresas daquela tarde inesquecível.

Com direito a gol de barriga

21 – A torcida que cobrava mesmo na vitória: de óculos o Zezé, que foi o meu melhor companheiro de diretoria, um visionário das arquibancadas. Odiado por todas as outras torcidas do Rio de Janeiro. Nós éramos tão opostos, mas nos complementamos na Força Flu. Ao seu lado, Heitor D’Alincourt, o melhor amigo, IRMÃO, que o Fluminense e a Força Flu me deram.

1983, mesmo campeões, uma torcida que sempre cobrava

22 – O Boletim Informativo de 1994 parece que foi escrito para ser lido a cada década posterior… Essa tipo de administração do clube se repete há mais de 30 anos. Então o Fluminense levava 9 anos sem conquistar um título de expressão. Como o próprio Presidente do Fluminense , Dr. Arnaldo Santhiago, disse na época: “A Força Flu é o meu maior pesadelo”… Conclusão: em menos de um ano TODOS OS TRICOLORES gritavam É CAMPEÃO!

Eu vejo o futuro repetir o passado

23 – Em 1983 o Botafogo comemorava 15 anos sem conquistar um título. O Botafoguense sempre foi o torcedor mais chato de todos, não à toa era chamado de Pato Donald. Para homenagear a data, no 1º turno do campeonato estadual desse ano, a Força Flu levou para o Maracanã, 2 patos com direito a desfile pelos corredores e arquibancadas do estádio.

Levamos os patos no sábado para o Maracanã. No domingo, ao abrir a nossa sala encontramos toneladas de cocô de pato

24 – No meio de 1982 disputou-se, depois do Campeonato Brasileiro, o Torneio dos Campeões que foi uma competição oficial promovida pela Confederação Brasileira de Futebol.  O campeão foi o América do Rio de Janeiro. O Fluminense fez uma péssima campanha. Em tempos em que não existiam redes sociais e sim fichas para os telefones, 500 Tricolores, comandados pelo Zezé e por mim, invadiram as Laranjeiras. Rolou cadeirada, teve segurança que puxou a arma e entrou na porrada. Essa foi a nossa maior ação. A partir dali, o respeito pela Força Flu passou a ser nacional. Ali definitivamente, mesmo depois com outros atos menores, nascia o time do Tri.

Cadeiradas e ameaças de tiro… Ninguém calava aquela Força Flu

25 – Um símbolo, a IDENTIDADE… Em janeiro de 1994 o Tato que era o Presidente da Força Flu me deu carta branca: “Quero que você atue livremente, você conhece bem mais a torcida do que eu”… Humildemente disse-lhe que sim… Uma das primeiras medidas foi a da identidade visual. Ali nascia o Navajo da Força Flu, que felizmente a atual diretoria (que vem realizando um excelente trabalho) resolveu resgatar.

26 – Um trio de ouro nessa foto do início de 1975: A nossa ETERNA MADRINHA Tia Helena, a maior musa de todos os tempos, a Lette e o meu mentor (de barba) a quem tive o prazer de suceder, o então Presidente Ricardo Belford Kornalewski.

Tia Helena Lacerda, Lette e Ricardo Belford

27 – Na final contra o Vasco da Gama em 1980, a torcida veio pesada… Mais de 500 quilos de talco. Para quem não sabe o que era isso, simplesmente o Maracanã se vestia de névoa por 5 minutos.

DNA de todo Tricolor, o talco

28 – Em 1980, surgiu um personagem, então enigmático, o Mão Verde. Naqueles tempos, ao assassinar, o Esquadrão da Morte colocava um cartaz no corpo da vítima, com o desenho de uma caveira e a inscrição Mão Branca. Até que surgiu, através do Itamar, Diretor da TFF, o personagem da torcida. Durante anos muita gente quis saber quem era o Mão Verde. Contrataram o Claudio Adão, meses depois conquistamos o Campeonato Carioca.

Mão Verde de noite, de dia Itamar Guinle (só os fortes entenderão)

29 – 1981, 1982 e 1983 foram anos muito intensos no clube: entre os sócios era a galera do futebol contra o pessoal dos Esportes Olímpicos. Foi uma guerra civil. O Zezé foi processado pelo então Presidente Sylvio Kelly. A Força Flu nunca se omitiu, nunca me escondi. Essa carta, escrita no primeiro semestre de 1983, revela que muita coisa não mudou… Apenas a minha geração envelheceu… Nas entrelinhas, a minha mensagem também serve para os dias de hoje.

37 anos depois essa carta continua colocando o dedo na ferida

30 – Para quem não sabe a gestão Sylvio Kelly colocou um circo dentro do estádio das Laranjeiras, uma lona para show… No começo era para o Reveillon de 81 para 82, depois para o Carnaval… A empresa deu um beiço no Fluminense e largaram a estrutura lá… A Força Flu bateu muito nessa agressão ao nosso patrimônio. A célebre frase já exposta acima representava o nosso sentimento: O circo saiu mas os palhaços ficaram.

Essa foto é da Revista Placar, que inclusive fez umas matérias com a gente

31 – Tanto exigimos que o clube teve que fazer caso, nas chegadas do Assis e do Washington, o disco mudou, era hora de incentivar: Heitor D’Alincourt, Zezé e André Bolla dando as boas vindas ao Casal 20.

Ali nascia um casamento perfeito: o Casal 20 e a Torcida do Fluminense

32 – Os principais fatores para o funcionamento de uma torcida organizada: Liderança e União… essa fórmula faz equipe, a bateria rola solta, a única preocupação é o Fluminense. Essa foto é de 1982 e traz gente muito boa: Zezé, Deodato, Claudio Kote, Fuscão, André Bolla, Toninho Vanusa, André Neguinho, Bia, Ricardo da São Salvador, Montanaro, Aloísio, Mário Fofoca, Adriano. O de boné era um manequim de gesso que compramos no Rio Sul.

UNIDOS POR UM FLU FORTE

33 – A vontade em festejar um título era tamanha que em 1983 à falta de uma partida disputada pelo América, a gente poderia ser campeão da Taça Guanabara (1º turno) sem ter que disputar o jogo extra. O América venceu e adiou a nossa comemoração para o fim de semana. Ficamos de prontidão no Fluminense, na capa do Jornal do Sports a sinergia entre a torcida e o time: Eu, de costas, com o Aloísio e o Heitor ao fundo. Ao lado direito do Heitor, o lateral esquerdo Branco. Precisa explicar o respeito?

Nascidos para gritar É CAMPEÃO!

34 – Sábado à tarde em 1981… o time não jogando nada, muitos jogadores de salto alto e mascarados, jogo contra o Madureira, no estádio Mané Garrincha (do Botafogo), em Marechal Hermes. A gente doido para fazer merda e a arbitragem prejudicando… Do nada apareceu um alicate, abrimos um buraco no alambrado, a ordem era sair pegando… Entramos demos 3 passos até que veio o aviso: “O bandeirinha é o Carlson Gracie”… E com a mesma velocidade de entrada, saímos do recinto. Simplesmente o maior Gracie de todos os tempos. Que conste o resultado 1 a 0 para o Madureira.

O bandeirinha Carlson Gracie

35 – Em 1990 eu estava na Espanha e recebi um telefonema: “Antonio, aqui é o Claudio… eu queria saber quando é que você voltará para o Brasil?”… Ali começava a minha relação com o Pagaio. Já discutimos dezenas de vezes, já deixamos de nos falar, somos amigos. Muitos dizem que eu tive uma passagem importante pela Força Flu, que talvez tenha sido o seu grande líder. Isso é fato! Mas o Pagaio é o maior componente da Força Flu nesses 50 anos e se a torcida segue viva deve-se muito a ele… Isso também é fato!

Pagaio: merece o meu MÁXIMO RESPEITO

36 – 1983… 1984… Semana de Fla-Flu tinha que ter visita de provocação às redações dos jornais e das rádios… E o Zezé (por isso também era odiado) era o MESTRE. Na foto: Deodato, Montanaro, Mario Fofoca, Zezé, Ricardo da São Salvador, André Neguinho e Tunico.

Além de tudo, muito despeitados ao mandarem os flamenguistas para a geral

37 – No domingo ganhamos do Flamengo, Assis no último minuto… Era preciso que o Bangu não ganhasse do Flamengo… Nos infiltramos na torcida banguense… no final do jogo comemoramos e fomos descobertos. O povão rubro-negro queria linchar a gente. Algumas porradas depois estávamos comemorando o título de campeão carioca de 1983 nas Laranjeiras.

O cara do surdo sou eu… (não conta para ninguém, mas nessa noite teve uns 15 marmanjos pulando na piscina de saltos… alguns sem roupa)

38 – O gol do Assis merecia uma comemoração especial. Aquele Flamengo levava 5 anos ganhando tudo o que disputava. Mas em 1983 surgia um Carrasco na vida deles… Aquele título trazia consigo 3 anos de batalhas incansáveis. Nós os do Futebol contra eles que não acham o futebol a principal razão da existência do Fluminense. 37 anos depois, todos daquela Força Flu tem que estar com a cabeça muito alta porque também escreveram a HISTÓRIA do Fluminense.

Capa e matéria do Jornal dos Sports, do O DIA, do O GLOBO e do Jornal do Brasil

39 – Em 1984 depois da conquista do Bicampeonato Brasileiro a direção do clube convidou-me a escrever um texto para a REVISTA DO FLUMINENSE, edição comemorativa. Escrevi, de forma inocente, sobre o que passamos e sobre o que desejávamos para o Fluminense. 36 anos depois, continuamos exigindo ser CAMPEÕES DO MUNDO.

Minha doença e meu remédio

40 – O reencontro, a vida por vezes nos leva por caminhos que nos fazem ir em direções nunca imaginadas. Por motivos que não valem recordar, afastei-me da Força Flu em 2014. Sem neuras, sem ressentimentos. Cada qual no seu caminho. Até que este ano, ali pelo finalzinho de março, fui procurado pelo Flavio Sinno, pelo Bruni Gioseffi e pelo Fabio Esteves… Foi feita a reaproximação. Confesso que estranhava alguns comentários vindos de gente que não tinha nenhuma noção de quem fui, nem o que fiz. Mas essa LIVE deixou alguns em silêncio e muitos felizes por saber qual é o verdadeiro DNA da torcida.

Foi muito legal ter participado dessa LIVE

41 – Julho de 1985, recebo um telefonema do Soró… Eu já tinha comprado a passagem de avião: “Antonio a parada é a seguinte, de ônibus até Uruguaiana, cruzamos a fronteira a pé, pegamos o trem em Pasos de Los Libres, dali até Buenos Aires”. Acabei por decidir viajar com a galera. Viajamos praticamente 60 horas para lá e outras 60 para cá. No total 9 cabeças da Força Flu entre os 11 Tricolores presentes aos estádios da capital da Argentina.

E hoje tem gente que reclama de espera em aeroporto

42 – Em maio de 1993 eu estava morando na Espanha, frequentava os jogos do Atlético de Madri. Fiz amizade com o Presidente do Frente Atlético e com os representantes dos Boixos Nois (Barcelona). Fizeram o convite e eu aceitei. Fui o primeiro sul-americano convidado para falar sobre torcidas organizadas do Brasil e na América do Sul na revista SUPER HINCHA (super torcedor)… Deu Força Flu na cabeça.

Na capa: Entrevista con El Capo de la Torcida del Fluminense

43 – Sinal de poder: no início de 1984 ultrapassamos a maior marca das torcidas do Rio de Janeiro, chegamos às 122 bandeiras. Essa foto é a maior tradução do que foi aquele período da Força Flu… cobramos muito porque para aquela geração só existia uma possibilidade: VENCER OU VENCER!

Nós somos Guerrilheiros

44 – Entre 1979 e 1983 a Força Flu comandou 3 enterros nas gerais do Maracanã… Aquilo era motivo de muita vergonha, mas foi necessário estar ali e escrever aquela parte da História. Os frutos vieram com os titulos de 1980, 1983, 1984 e 1985.

UNIDOS POR UM FLU FORTE

45 – Essa imagem do Jornal dos Sports é o reflexo do nosso sentimento, a verdadeira identidade TFF: Queremos Time! Queremos craques! É assim que a Força Flu tem que ser, que os mais novos entendam o conceito histórico.

Por sinal os 2 jogadores vieram: Assis e Washington

46 – Um casamento perfeito nessa foto de 1983 que fala por si só: Assis, Washington e a Força Flu. O Casal 20 foi a maior expressão de amor ao Fluminense de 2 jogadores que tinham o vício de serem campeões pelo clube.

É CAMPEÃO

47 – Essa carta é de 1982, também datilografada naquela máquina de escrever Remington 20. Ela traz consigo um grito de independência: O VERDADEIRO FLUMINENSE ESTÁ NAS ARQUIBANCADAS. O FLU SOMOS NÓS! É A NOSSA VOZ NOS ESTÁDIOS!

Em cada campo que jogarás a Força Flu presente estará

48 – Só existe uma arquibancada… É a mesma que faz festa… É a mesma que incentiva… É a mesma que cobra… É a mesma que vive para o Fluminense.

50 anos não são 50 dias…Respeitem quem escreveu a História!

49 – A imensidão da voz da Força Flu traz consigo muita responsabilidade, 38 anos (09/03/1982) depois essa carta continua me emocionando. Um torcedor chamado Domingos, nos enviou essa HISTÓRIA EM QUADRINHOS desde a cidade de Picos, no Piauí. É bem provável que jamais tenha visto um jogo do Fluminense no Maracanã… Mas é certo que há 38 anos o coração dele se veste de verde.

Obrigado Fluminense! Só você pode nos proporcionar isso.

50 – Feliz aniversário Força Flu!!! E certo que vivi os 25 e os 50… Certamente não estarei para o aniversário dos 75… Você que tem a honra de vestir essa camisa entenda uma coisa: TUDO PARA O FLUMINENSE e NADA DO FLUMINENSE.

PARABÉNS!!! Todo o meu apoio ao Balu e ao Fábio Esteves

Bem até aqui cheguei…

Precisava escrever dessa forma.

Em memória da Tia Helena, do GB, do Eduardo, do Bibi, do Seu Pedro, do Adriano, do Sergio Louro, do Genaro, do Patury, do Seu Nonô, do Andre Bolla, do Tato, do Soró, do Mancha, do Tarado, do Alvinho, entre outros…

Um forte abraço ao Heito D’Alincourt, Zezé, Montanaro, Mario Fofoca, Mad, Montanaro, Marinaldo, Andre Coca Cola, Fuscão, André Neguinho, Zulú, Claudio Kote, Luiz Bustamante, Paulo Nercessian Neto, Bia, Andre Bolha, Ricardo da São Salvador, Marcos Hinsch, Deodato, Vicente, André Deco e galera do Humaitá.

Um especial agradecimento a todos que um dia ocuparam a presidência da Força Flu.

Outro forte abraço ao Bolinha, ao Zé Henrique e ao Mario Carlos Caldeira Marinho, o Mario Imundo.

E terminando… a música que inspirou o hino da TFF

Erva venenosa! Simples assim,

Presentes & Felicitações = Gratidão

Recebi centenas de felicitações pelo dia de ontem… Facebook, Whatsapp, telefone, apertos de mão e abraços, foram os instrumentos do imenso sentimento que recebi.

Sou grato, muito!

A vida me fez assim… humilde e agradecido.

Aos meus, o meu muito obrigado.

Aos antigos que ainda continuam compartilhando a mesma “vibe”, a cumplicidade, que é irmandade, é laço que une.

Aos que lutam ao meu lado, a certeza que não somos carne de trincheiras…

E quero dedicar a todos vocês essa GRANDE homenagem que recebi do GRANDE Paulo-Roberto Andel.

Mas sem qualquer tipo de máscara ou prepotência… Mesmo tendo sido apenas mais um e me considerando apenas mais um, fico feliz em saber que pude abrir horizontes e, dentro da minha trajetória, mostrar o que deve ser “SER FLUMINENSE”.

Assim sendo, a idade permite que eu não utilize o freio na hora de falar:

LUTEM PELO FLUMINENSE!!! E essa luta tem que ir MUITO além das arquibancadas… ela tem que estar VIVA dentro do clube.

I

Os garotos que seguiam aqueles outros garotos um pouco mais velhos, nas arquibancadas que gritavam pela salvação do Fluminense, foram os mesmos que passaram a perseguir o time tricolor para sempre. Menos de um ano após o caos, o Flu tinha um dos times mais vencedores de sua história.

Saudosismo à parte, aquela mesma constituição de torcida nunca mais aconteceu. Os tempos mudaram, novas festas vieram, dramas também, as cores vibraram, mas ficou diferente. Os mesmos que vieram de lá até hoje buscam aquela magia perdida desesperadamente. Era o Fluminense, eram as bandeiras em fila indiana a vinte minutos dos jogos, era o céu branco de pó de arroz, era a Fôrça Flu.

Os que lá estiveram entre 1980 e 1985 hão de entender. Foram tempos incríveis. Entre o caos e a glória, cada dia no Maracanã valeu por um ano. Éramos diferentes, éramos todos um só abraço.

II

O valor e a grandeza de um homem podem ser medidos por seus atos, mas também pela ojeriza que despertam em criaturas menores, daquelas que preferem o jogo rasteiro porque desconhecem o que é estar no alto, até mesmo quando fingem tal posição.

Quanto mais mal falado por medíocres e mentirosos, mais valoroso é um cidadão.

III

Ninguém garante talento, caráter e admiração por conta de likes e compartilhamentos. É preciso ter realizações e história. É preciso não ter preço.

IV

Um abraço hermano, um grande domingo e uma noite de alívio no que sobrou da casa das nossas infâncias.

Há muito a ser feito. Cada dia é um ano.

Tal como o sol da poesia de Cartola, o Fluminense nascerá.

A Antonio Carlos Gonzalez

@pauloandel

 

 

30 de abril de 1981: O dia em que a Força Flu quase perdia toda a sua diretoria assassinada

                                                                            Resultado de imagem para atentado do rio centro

 

Valia a pena fazer aquela viagem para o Riocentro, um showzão com as figuras de ponta no cenário da Música Popular Brasileira, para comemorar o dia 1º de maio, o Dia do Trabalhador.

Por outro lado era bom sentir que a CULTURA havia se transformado na maior forma de resistência.

E se a gente fizesse aquilo ao lado da galera da Força Flu (eu ainda não havia assumido à presidência, OFICIALMENTE,  mas era a cabeça pensante): Partimos em 2 carros, no do Beto Gordo e no do Alexandre. Éramos 9 cabeças, sendo que 5 deles pertenciam à diretoria da torcida.

Na boa… tinha tudo para ser um showzão da porra… um escrete de artistas consagrados, a nata da poesia, principalmente com os nordestinos que ensinaram ao país o que seria a grande onda a partir dos anos 70… A chegada dos Ramalhos (Elba e Zé), do Fagner, do Alceu Valença, do Djavan, do Geraldo Azevedo, do Belquior, Moraes Moreira e Simone, entre outros,  havia rejuvenescido aquela MPB que se viu ameaçada pela mordaça e pelo chicote (a partir do AI-5) principalmente o Gilberto Gil, o Chico Buarque e o Caetano Veloso.

Podemos dizer que aquela galera nordestina trouxe o oxigênio que reacendeu a brasa da nossa música.

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Mas aquela noite, que das portas para dentro do recinto do Riocentro fora épica, pela sorte do destino não foi trágica…  20 mil pessoas tiveram as suas vidas em jogo.  Quis o destino que uma das bombas que seriam colocadas explodissem antes do tempo.

 

Essa noite acabou sendo conhecida como a das BOMBAS no Riocentro.

 

Recorrendo às hemerotecas encontro essa matéria do jornal O GLOBO (https://infograficos.oglobo.globo.com/brasil/cronologia-do-atentado-do-riocentro.html#0) que fala sobre a cronologia do atentado:

1974

Abertura política

Desde o governo Ernesto Geisel anunciar uma lenta abertura política rumo à democracia, setores ligados à repressão da ditadura começam a se articular para evitar a perda de poder e importância. Bastante poderosos nos governos de Costa e Silva e Médici, órgãos como o Destacamento de Operações de Informações (DOI) enfrentam um período de decadência, o que gera insatisfações.

 

 

1979

Terroristas de Direita

Inconformados com a perda de poder dentro do regime, setores mais ligados à linha dura do Exército criam um ‘Grupo Secreto’ para articular ações terroristas, que pudessem justificar um retorno da esquerda à luta armada. Dessa maneira, o aparelho de repressão poderia ser novamente utilizado, recuperando a importância de determinados setores do Exército. Na foto, o atentado a OAB, em agosto de 1980, que matou Lyda Monteiro da Silva.

30 de Abril, 1981

O atentado

Acontecia no Riocentro o show do Dia do Trabalho, que arrecadaria fundos para Partido Comunista Brasileiro (PCB). Cerca de 20 mil pessoas estavam no local. Segundo o MPF, o ataque ocorreria ali por conta de seu simbolismo contrário à ditadura militar. O planejamento dos militares era explodir três bombas na parte interna do pavilhão, parecendo que havia sido planejado por militantes de esquerda. Esses artefatos estavam no carro Puma do capitão Wilson Machado e um deles explodiu antes do planejado, ainda no estacionamento, matando o soldado Guilherme do Rosário. Machado ficou gravemente ferido.

Maio de 1981

Militares como vítimas

Logo após o atentado, o Exército instaura um Inquérito Policial-Militar (IPM) para investigar o caso. O resultado da investigação aponta que sargento Rosário, morto na ação, e o Capitão Wilson Machado (foto), ainda vivo, haviam sido vítimas do atentado. Embora bastante contestada por grande parte da sociedade e da imprensa, o Exército manteve a versão por 18 anos.

Março de 1999

Mudança de versão

Após O GLOBO publicar uma série de reportagens sobre o caso, a procuradora da República Gilda Berger pede a reabertura do caso em 5 de março de 1999. Entrevistas e novos fatos jogam por terra a antiga versão oficial. Um novo Inquérito Policial-Militar indicia o coronel Wilson Machado, que antes tinha sido apontado como vítima, e o general da reserva Newton Cruz. Em maio de 1999, o caso é arquivado pelo Superior Tribunal Militar, por enquadrá-lo na Lei da Anistia. As revelações rendem ao GLOBO o prêmio Esso de melhor reportagem.

Fevereiro de 2014

Novos denunciados

Após a redescoberta de uma agenda de contatos do sargento Rosário, em 2012 o jornal Zero Hora revela a existência de memorandos datilografados e também manuscritos do ex-comandante do DOI-Codi, Julio Miguel Molinas Dias, logo após o atentado. Um ano e meio depois, o Ministério Público Federal (foto) denuncia seis pessoas por envolvimento no caso. São elas: Divany Carvalho Barros, Edson Sá Rocha, Nilton de Albuquerque Cerqueira, Claudio Antonio Guerra, Wilson Luiz Chaves Machado e Newton Araújo de Oliveira e Cruz.

 

 

 

É interessante dizer que não foi o único atentado que ocorreu naqueles anos… Bancas de jornais, OAB, entre outros tantos… A gente lutava pela liberdade…

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Tempos difíceis…

Não nos deixavam falar, castravam as nossas vozes…

 

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Prendiam e arrebentavam…

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Censuravam a arte, manipulavam a informação…

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Faziam questão de tirar da frente quem pensasse diferente deles…

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Mas foi através dos trabalhadores organizados que a democracia deste país voltou a caminhar, a ir para as ruas, a conquistar espaços.

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De lá até os dias de hoje se passaram 37 anos… Por momentos pensei que jamais teria que voltar a conviver com a sombra do medo rondando as nossas vidas.

Amanhã  é com você, da mesma forma que o amanhã depende de você.

 

Em mome daquela diretoria da Força Flu eu queria agradecer ao saco (testículos e bolsa escrotal)  do soldado Guilherme do Rosário, que morreu após a bomba tem explodido no seu colo.

 

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Antes eles (os terroristas) do que nós.

38 anos depois a Força Flu segue VIVA!

Saudações TETRACOLORES

 

Para que quiser saber mais sobre o atentado (http://blogdopg.blogspot.com/2015/04/o-atentado-do-riocentro.html)

 

 

O atentado do Riocentro  (por Paulo Gurgel   –  Blog Entrementes)

Aconteceu a 30 de abril de 1981 o frustrado atentado do Riocentro. A bomba, planejada pelo SNI e armada pelo DOI-CODI carioca, explodiu minutos antes, ainda no estacionamento do Riocentro, dentro do Puma onde estavam dois agentes do DOI do I Exército. Ao explodir, a bomba matou o sargento do DOI Guilherme Pereira Rosário, que a levava no colo, e feriu gravemente o motorista a seu lado, o capitão do DOI Wilson Machado.
O desastrado atentado do Riocentro, que o Exército nunca assumiu “nem como desvio de conduta”, só não se transformou em uma tragédia nacional por conta da incompetência dos terroristas.
No site da Comissão Nacional da Verdade (CNV), com todas as letras, os comissários concluem que o atentado foi “um minucioso e planejado trabalho de equipe realizado por militares do I Exército e do Serviço Nacional de Informações (SNI) e o que o primeiro inquérito policial militar (IPM) sobre o caso, aberto em 1981, foi manipulado para posicionar os autores diretos da explosão apenas como vítimas”. Para o coordenador da CNV, Pedro Dallari, o caso Riocentro foi o último de uma série de 40 atentados, ocorridos entre janeiro de 1980 e abril de 1981, “que visavam dificultar a abertura política iniciada em 1979 e dar uma sobrevida ao regime militar”.
O almirante Júlio de Sá Bierrenbach, que depôs na CNV sobre o caso, era ministro do Superior Tribunal Militar (STM) quando o inquérito policial militar sobre o Riocentro chegou ao tribunal para ser julgado. O caso já veio arquivado da auditoria militar onde tramitou e o militar da Marinha foi o único a votar contra o arquivamento do processo e pedir que o capitão Machado continuasse como investigado e a apuração, retomada.
Para Bierrenbach, “o IPM (do Riocentro) foi uma vergonha e isso é facilmente demonstrável”. Ele afirmou considerar absurdas a absolvição e a promoção até coronel que Wilson Machado, co-autor do atentado, recebeu na carreira. “Vítimas, uma ova! Eles fizeram o atentado. O capitão vai ao Riocentro com uma bomba, a bomba explode. O colega morre. E ele é promovido. Isso é um absurdo!”, torpedeou o almirante. Ao contrário do que seria previsível num país sério, a explosão não implodiu a carreira do militar sobrevivente. O capitão terrorista do Riocentro, apesar de seu estrondoso fracasso, é hoje general reformado do Exército.
Segundo o relatório da CNV, apresentado pelo gerente de projetos Daniel Lerner, cerca de 20 mil pessoas estavam no Riocentro, na noite de 30 de abril de 1981, para assistir a um show organizado por Chico Buarque de Hollanda para o Dia do Trabalhador. O grupo que planejou o atentado conseguiu até que a Polícia Militar recebesse uma ordem para não realizar policiamento dentro do espaço onde ocorria o show.
Os dois militares terroristas do DOI-CODI — o sargento morto e o capitão socorrido com as vísceras de fora — não foram as únicas baixas da ditadura. A evisceração do regime foi ainda mais notável nos meses seguinte. O general João Figueiredo infartou na presidência, o general Golbery do Couto e Silva demitiu-se da Casa Civil, o general Octávio Aguiar de Medeiros (chefe do SNI) implodiu como virtual candidato a uma sexta presidência fardada e o regime militar definhou até morrer, sem choro nem vela, no remanso do Colégio Eleitoral que sagrou Tancredo Neves como primeiro presidente civil desde 1964.
Naquela noite, data do maior “acidente de trabalho” da escalada terrorista do DOI-CODI do Exército, o número de mortos e feridos do atentado poderia ser muito maior. Além da bomba que explodiu no estacionamento, outro artefato explodiu na casa de força do Riocentro. O objetivo era o corte de energia que impedisse o show e causasse tumulto, mas o artefato não causou o efeito desejado. Depoimentos apontam que duas bombas sob o palco foram retiradas do local antes de serem detonadas e testemunhas afirmam que havia outras duas bombas no Puma do DOI-CODI, que foram retiradas da cena do crime.
O tumulto previsível de explosões coordenadas em recinto fechado, com as portas de saída criminosamente trancadas com cadeados, certamente provocaria uma tragédia amplificada na platéia de 20 mil pessoas. E as bombas sob o palco, detonadas no momento esperado do encerramento, quando todos os artistas se reúnem para a apoteose final do show, produziriam uma hecatombe na Música Popular Brasileira. Junto com Chico Buarque, lá estavam 30 dos mais famosos e carismáticos astros da MPB. Entre eles, Paulinho da Viola, Luiz Gonzaga e o filho Gonzaguinha, Cauby Peixoto, Clara Nunes, Gal Costa, Ivan Lins, João Bosco, Alceu Valença, Elba Ramalho, Djavan, Fagner, Moraes Moreira, Ângela Ro-Ro, Simone, Zizi Possi, MPB-4 e Beth Carvalho.

(extraído deste artigo do jornalista Luiz Claudio Cunha para o Jornal JÁ, via site QTMD?)