REENCONTROS: QUANDO MENTIR É PROFISSÃO QUE ENRIQUECE (por Antonio Gonzalez)

Junho de 2021 tem sido um mês agitado, apesar de minhas loucuras renascidas desenhadas pelo receio pandêmico, dias de notícias… por certo boas e ruins… novidades em si.

Escrever me faz bem, é cura.  É maior que o verbo porque liberta.  No meu caso, também, regenera.  Equilibra meus polos opostos sem bipolaridade de caráter, onde a hipocrisia não rima com o que desejo.

A vida, a minha, não é um simples eletrocardiograma plano. 

Mais parece a lâmina, a que corta, de um serrote… tipo alvorada na cordilheira dos Andes ou um por do sol nos Pirineus. Subir exige descer para voltar, tudo começa e termina no primeiro andar. Pelo menos deveria, na lógica que não deveria derrapar em óleo queimado.

Mas é a minha vida. Ponto.

Família REGUEIRAS

E viver é um colecionar surpresas: desde um laudo médico com pegadinha da recepcionista… até telefonar e ser de conhecido ilustre desconhecido…

Como é que funciona isso depois de 20 anos sem sinais de fumaça… “oi… fui ali… e voltei…”?

Com certeza no álbum de fotografias das décadas de ouro que vivi existem pessoas, poucas, que sempre terão significado, construímos uma, a nossa, história. Fizemos, aprendemos, nos equivocamos, voltamos a nascer e a fazer.  É de gratidão, não é só cultura… é o excelente exemplo.

As pessoas se inventam de acordo com as suas necessidades do momento… Foi induzido a pensar assim depois de tanto caminhar e dar-me conta que do milharal de gente que cruzou comigo em lugares de unidade, pouco restou. Sobram mais que dedos.

Entretanto são valiosos, os que ficaram,  são ouros de tesouros que brotam da terra. Diferente das ventosas passageiras que cumpriram parte de um ciclo e, tanto tempos depois, nem provocam saudades, nem gratos são. O bom da decepção é que ela deixa de machucar.

Repito: não gosto de hipócritas! E para esse tipo de parada não existe negociação. Sou assim. E se não gostou e não vai responder às mensagens enviadas e, obviamente, fingir não ter visto rede social. Afinal, quase todos, somos livres escravos de aplicativos, parte de uma grande maioria que nasceu para ser reativa.

Mais fácil, assim pensam. Prefiro gastar energia, a que me resta, em deixar legado. Pode ser pouco? É o suficiente para o que quis.

Minha IRMÃ é tudo

A ponto de completar 60 anos posso afirmar que quem mandou no mundo desde sempre foi a mentira: a que elege, a que inventa a fome, a que renega o passado, a que transforma o amoral em normal.

Ouço a trilha sonora de Fito y Fitipaldis, uma banda espanhola…  Adoro!  Uma fã desde a Itália, escreveu: “tu musica camina a mi lado, en mi momentos mas difficil y por non sentirme sola” (no YouTube).

 

Comigo é desse jeito.  Pelas mãos da solidão, dessas de multidão, tenho minhas formas de terapia.  A música sempre será uma delas.

 

De morto não se fala.

 

Da morte nada se livra, nem morrer faz de alguém diferente do que viveu. Tenho os meus santos de fé, mas nunca quis beatificar a nada. É passagem, continuação, outra forma de passar pelo tempo.

 

 

Só que não me humilho, nem grátis, nem pagando. É o começo. No máximo um descanse em paz.

 

 

Ir em frente acontece com escolhas.

 

 

Fito acaba de cantar que a tristeza e a alegria viajam no mesmo trem… penso que é uma questão de vocação, mesmo que se esteja do mesmo lado, mas em plantas distintas.  As palavras que diferem, mesmo em pensamentos que sejam convergentes, não podem querer ferir quem está ao lado.

 

Assim se ganha uma eleição.

 

Não obstante a minha aptidão tem a celeridade de uma locomotiva, sem freios, sem extensões.  Não tem palestra sem a última estação.

Fato

A gratidão não deve ter prazo de validade desde que o respeito seja mútuo.  E quando os espinhos te chamam em sinal de carinho é hora do aguçar a visão, esteja em prontidão!

 

 

Sem querer e, apesar, de preferir não querer, me estenderam a mão. O que me permitiu descobrir que o tal legado, o meu, para alguns, vestiu-se como o tal exemplo. E com isso eu não quero me esconder, nem colocar para debaixo do tapete os meus erros, que foram muitos.

Que doideira o Gonzalez está querendo suspirar (depois que um hater de 22 anos disse que não significo nada na história da Torcida do Fluminense, que ninguém me faz caso, somente consigo transmitir através de suspiros)?…

Existe adeus, despedidas que ficaram por aí sem beijos ou abraços.

Da mesma forma que surgem os batismos daqueles que acabaram de chegar, mas trazem consigo bálsamos de esperanças.

Tem os de fé, aqueles que estão sempre… e se o tempo te dá a oportunidade do reencontro… acontecendo… que seja feliz.

Levo tatuada uma frase do Fito no meu braço esquerdo:

“Aún me queda media vida p’a encontrar la melodia”… a luta continua porque sem lutar não me pertenço.  Mas tenho que carregar o meu espírito, quinhentos volts na tomada daquela estrela que indica o caminho.

Fito y Fitipaldis – Que te voy a decir se acabó de llegar.

Tem sido um tempo de introspecção, faz-se necessário reconhecer o que transmito para seguir em frente.  Nem sempre o travesseiro responde.  Gilberto Gil me ensinou que “se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais!”… São quase quarenta anos repetindo a frase, meu mantra.  Talvez nem o mutismo provocado consiga me calar.  Sem importar-me com o lugar: aqui, no fundo de um vulcão, quiçá no descanso da eternidade, lá… Somente não me confundam com janotas menores, te a importância que julgo ser merecedor… sem discussão a respeito.

Sem teorias das conspirações, o certo é que tenho fotografado muito o passar desses tempos que não conseguem parar de subdivisões que “bugam” sem a essência da história.

Gilberto Gil – Um dos maiores de todos os tempos da música e da poesia universal.

E a imagem que resulta é a da mentira dos que vencem: o dólar vai abaixar, a gasolina idem, moradia para todos, mais salários, menos impostos, educação, saneamento básico… Promessas os ventos levam.

Estou feliz, apesar dos pesares, acostumei.  

No entanto na atualidade mentir é uma profissão que dá dinheiro, que não fiquem dúvidas. Pandemias existem, mais de uma, todas interligam obituários. Mas sem sofrimento, mentirosos e suas inverdades conseguem chegar ao topo do mundo, uma vez lá em cima desmemoriar é o verbo., olvidem expectativas.

Sinuca de bico, bola 7.

Segue o jogo!

MEUS PAIS – Obrigado!

Com Joaquin Sabina, um poeta trovador, espanhol, dos undergrounds dos metrôs de Londres, através do poder de quem aprendeu nas ruas o salgado e picante pode ser o asfalto. “Tan joven y tan viejo” tem traços que conheci em algum desses minutos (mais de 31 milhões) que acompanharam minhas nuvens e sombras.

Joaquin Sabina – “Tan joven y tan viejo”

Tan Joven y Tan Viejo

Joaquín Sabina

Lo primero que quise fue marcharme bien lejos;
En el álbum de cromos de la resignación


Pegábamos los niños que odía ban los espejos
Guantes de Rita Hayworth, calles de Nueva York

Apenas vi que un ojo me guiñaba la vida
Le pedí­ que a su antojo dispusiera de mí­,


Ella me dio las llaves de la ciudad prohibida
Yo, todo lo que tengo, que es nada, se lo dí­

Así­ crecí­ volando y volé tan deprisa
Que hasta mi propia sombra de vista me perdió,
Para borrar mis huellas destrocé mi camisa,
Confundí­ con estrellas las luces de neón

Hice trampas al póker, defraudé a mis amigos,
Sobre el banco de un parque dormí­ como un lirón;
Por decir lo que pienso sin pensar lo que digo
Más de un beso me dieron (y más de un bofetón)

Lo que sé del olvido lo aprendí­ de la luna,
Lo que sé del pecado lo tuve que buscar
Como un ladrón debajo de la falda de alguna
De cuyo nombre ahora no me quiero acordar

Así­ que, de momento, nada de adiós muchachos,
Me duermo en los entierros de mi generación;
Cada noche me invento, todaví­a me emborracho;
Tan joven y tan viejo, like a rolling stone

ATITUDE E LIDERANÇA

(Geração final dos 1970 – para a Divina que é mais do que uma irmã… para a Nena Vasconcelos, cuja persistência é merecedora de respeito e para Carlos Otaviano… 04/03/1978… parece que foi ontem que, juntos ou separados, escrevemos caminhos) 

SOMAR esforços, DIMINUIR as desigualdades, MULTIPLICAR o bem, DIVIDIR o pão!

Hoje fecho as portas de um ciclo na minha existência. Celso Blues Boy sempre fez parte da trilha sonora da minha vida.

Em tempos de reencontros e de desencontros vale a única lei… SE DENTRO DE NÓS SEMPRE BRILHARÁ.

SEMPRE BRILHARÁ – Celso Blues Boy

Sempre Brilhará

Celso Blues Boy

Por dentro eu sei
Que nunca senti
Nada além de amor
Tudo o que vivi

Estou deixando o céu
Rumo ao inferno
Só, sem você
Mas não há nada a fazer

As coisas são assim
Pra que se lamentar
Se dentro de nós
Sempre existirá
Sempre existirá

Toda esperança
Sempre brilhará
Do outro lado da noite
Aonde você está

Espantarei mil demônios
Não hesitarei
Andarei na escuridão
Dessa guerra sem fim

As coisas são assim
Pra que se lamentar
Se dentro de nós
Sempre brilhará
Sempre brilhará
Sempre brilhará
Sempre brilhará

Por dentro eu sei
Que nunca senti
Nada além de amor
Tudo o que vivi

Estou deixando o céu
Rumo ao inferno
Só, sem você
Mas não há nada a fazer

As coisas são assim
Pra que se lamentar
Se dentro de nós
Sempre brilhará
Sempre brilhará
Sempre brilhará
Sempre brilhará

Os cus rachados da Tricolor de Coração

Sobre o jogo de ontem existe pouco a dizer… Um tempo de cada time… colocar na arbitragem culpa do resultado é reduzir à fração mais simples; sim o árbitro errou e amarrou o jogo da forma que quis… mas ficam algumas perguntas no ar:

Como justificar a infantilidade e a cabacice do Nino?

Uma vez que o Matheus Ferraz não teve condições de ser relacionado, quem foi o membro do Departamento Técnico responsável pelo FFC não seguir a norma protocolaria dos 10 dias de afastamento de qualquer contaminado pelo Covid-19?

Por que o FFC somente havia relacionado um zagueiro para o banco e tinha uma plantação de atacantes (4) e jogadores de meio de campo (4) no banco?

Por que o FFC não teve poder de fogo para convocar o Frazan ou outro zagueiro para se apresentarem em Santos antes do jogo, uma vez que o clube foi comunicado sobre as 13 horas do impedimento do Matheus Ferraz?

https://globoesporte.globo.com/futebol/times/fluminense/noticia/apos-aviso-da-cbf-fluminense-retira-matheus-ferraz-da-lista-de-relacionados-contra-o-santos.ghtml

No lance posterior à expulsão do Nino, o gol do Santos foi marcado. É só rever a jogada e ver a falha de posicionamento da nossa marcação.

E o Marcão colocou o Yuri para fazer a função do Nino…

Na foto abaixo vocês conseguem encontrar o Yuri?

Conclusão: faltou zagueiro de ofício no banco.

A questão de técnica de regulamentos passa por três pessoas: Paulo Angioni, Marcelo Penha e Rodrigo Henriques… nessa ordem…. se somarmos os salários dos três, chegaremos à conclusão de ganham MUITÍSSIMO para que o FFC seja vítima desse tipo de cagada. Os dois pontos perdidos ontem podem custar ao Fluminense alguns milhões de reais.

MUDANDO DE ASSUNTO

Hoje, no dia em que a minha mãe está completando 86 anos de existência (graças a Deus ela está em outro patamar para não ter que conviver com certo tipo desituações) fui despertado por quatro áudios sobre a minha pessoa nos quais se comentava a meu respeito.

Vamos lá: estão utilizando mentiras a meu respeito para compuscar e vituperar ao Projeto de Revitalização das Laranjeiras, o LARANJEIRAS XXI… Dizendo que o projeto é ruim porque eu sou amigo do Sérgio Poggi…

Isso mostra o quão diminutas são essas sub criaturas… O LARANJEIRAS XXI tem quase cinco anos de trabalho e, apesar do Poggi ser hoje o ponta de lança, envolve mais gente.

Quanto ao meu relacionamento de amizade com o Poggi, apesar de nos conhecermos desde 2016, estreitou-se há menos de um ano, digamos ainda em fase de construção.

E utilizar essa desculpa para depreciar o projeto é coisa de MAUS TRICOLORES, desses que preferem os estádios do América, do Boavista e do Macaé como fonte de inspiração. Coisa de anão débil mental.

Por outro lado me acusam de coisas que não me pertencem, nem à Vanguarda Tricolor…

Em 1997 o clube era presidido pelo Álvaro Barcellos (eleito em peso pelo embrião do grupo Democracia Tricolor, que hoje manda no clube em conjunto com os ANALFABETOS da Tricolor de Coração)… O Vice Presidente de Futebol era o Edgard Hargreaves. Ponto. Para nada houve a participação da Vanguarda Tricolor.

Em 1998 o Presidente era o mesmo Álvaro Barcellos. Fui Vice Presidente de Futebol durante 75 dias (5 jogos, sendo 2 do CARIOCA, 2 amistosos e 1 do Brasileiro da Série B… 4 vitórias e 1 derrota).

Ou seja dos 10 jogos da Série B só fui dirigente em 1… no restante o Vice Presidente de Futebol foi o JOSÉ CARLOS TORRES COELHO.

Mas esses caras da Tricolor de Coração, dirigidos por assalariados da gestão, além de mentirosos, são tricolores de araque… não conhecem a história.

Será que eles sabem responder QUANTAS vezes os jogadores do Fluminense que residiam no Hotel Paissandu (meia ponta de estrela) entre eles o Magno Alves e o Gil Baiano, foram despejados por falta de pagamento?

Será que eles sabem responder o real motivo para o FUNDO OCEÂNICA fechar o grifo do dinheiro?

Será que eles sabem responder quantos meses de salários estavam atrasados (5 de funcionários, 4 de roupeiros, massagistas, médicos e supervisores, 3 de jogadores)?

Será que eles sabem responder o nome dos jogadores que se negaram a disputar a Série B por falta de pagamentos?

Será que eles sabem que eu autorizei a todos os jogadores do Fluminense a almoçarem no Restaurante do Fran Mourão e a levarem quentinhas para o jantar porque os caras não tinham dinheiro para comer?

Será que eles sabem quantos cheques sem fundos o Presidente Álvaro Barcellos ASSINOU na véspera do jogo contra o ABC como pagamento de salários dos jogadores? 36 ou 38?

E por último…

Será que eles sabem que EU RECUSEI U$ 300.000,00 (trezentos mil dólares) de suborno para liberar para um agente FIFA (íntimo amigo do João Havelange) levar para o futebol asiático 3 jogadores do FFC (Roni, Nonato e Adilson zagueiro)?

É óbvio que não sabem. Nem a resposta de outras 400 perguntas.

Mas vou além… parafraseando o Sr. Renato Ambrósio (aquele da Live Sorte, do 1 Milhão de reais do carro forte)… DESAFIO DO “ROUPEIRO AO PRESIDENTE” a debaterem comigo sobre TUDO o que aconteceu com o Fluminense nos anos 1990.

Não vão topar porque não sabem de nada. Nem passavam na porta do clube.

Se minha MÃE fosse viva faria o seguinte… me pegaria pelo braço, colocaria o dedo na minha cara é diria: “EU EXIJO QUE VOCÊ QUEBRE A CARA DESSES CARAS”…

Então eu iria rir e responderia: “MÃE… eu não brigo com CUZÕES”.

Terminando: esses cus rachados da Tricolor de Coração deveriam acender uma vela todos os dias para a Vanguarda Tricolor… a Vanguarda fez um grande favor ao Fluminense… criou a eleição direta para presidente no clube.

Por outro lado a Vanguarda fez um grande desfavor ao FFC: permitiu que imbecis com etiqueta de preço como os da Tricolor de Coração tivessem direito à voz e voto.

O desafio está lançado.

A Flusócio destruiu o Fluminense (por Caio Barbosa)

 

Hoje foi dia de retornar às Laranjeiras. Pela segunda vez neste ano e, salvo engano, quinta ou sexta vez nos últimos oito anos. O lugar que frequentei quase que diariamente por boa parte da vida já não me pertence mais. Foi tomado de assalto por uma legião (sem trocadilho) de vigaristas, mentirosos, farsantes, canalhas e dilapidadores de patrimônio no início de 2011, conforme infelizmente avisei que aconteceria, sem nenhum tipo de orgulho de minha parte por ter avisado. Mas foi o que aconteceu.

O clube que no século passado ganhou o Prêmio Nobel do esporte, que tornou-se referência em absolutamente tudo, tanto desportivamente como socialmente, sendo um dos principais centros de convivência da sociedade carioca, tornou-se um celeiro de gente abjeta. Do dia para a noite. O desespero dos funcionários já em 2011 falava por si. De uma hora para outra passaram a conviver com pessoas que nunca haviam estado ali e se vestiam de uma arrogância e prepotência típicas de torcedores do clube que fica às costas do Redentor, não de frente para ele, como o nosso. E eu me recuso a frequentar o mesmo espaço que esta turma. Não sou mais tricolor do que ninguém. Mas sou tricolor. Essa gangue não é.

Esta semana, no entanto, fui convidado por um grupo de torcedores e conselheiros para acompanhar a entrega de 150 cestas básicas a funcionários do clube e também terceirizados que estão há meses sem receber. O convite chegou através de uma ligação de Antônio Gonzalez, ex-presidente da Força Flu, ex-dirigente, a quem muito critiquei, à época, mas que tem o mérito de poucos, diria raros, de não temer a arquibancada, onde fomos criados.

“Caio, tudo bem? Então, eu não sei se você está sabendo, mas a Young Flu está fazendo uma vaquinha pela internet para comprar cestas básicas para os funcionários, eu decidi ajudar, um grupo de conselheiros também, além de outros sócios, atletas, e eu queria saber se você poderia comparecer para acompanhar e, se não for inconveniente, contar com suas palavras o que viu”, disse Gonzalez.

Prometi que iria. E fui. Porque além de gostar do Fluminense, também criei laços de amizade com um sem-número de funcionários do clube ao longo das décadas. Mas ir às Laranjeiras é de cortar o coração. Entrei e fui direto ao Fidélis para o tradicional pão de queijo com Grapette. Não havia uma pessoa. Nem a Mariângela. Só havia uma placa com o verdadeiro nome da empresa, fantástico: “Terra Tricolor Ltda”, referência, claro, ao sobrenome da família. Segui para a antiga Fluboutique, atual Loja do Fluminense, um cenário devastador. Mesmo às vésperas do Natal, quando as Laranjeiras e a loja ficavam lotadas, não havia ninguém. E menos produtos que na prateleira de troféu do Botafogo.

O clube estava absolutamente deserto. Só não parecia abandonado porque lá estava o grupo de torcedores com suas cestas básicas a distribuir a poucos funcionários, posto que muitos estão sem dinheiro para ir trabalhar, outros tantos, segundo os colegas, foram coagidos pela direção para não receberem as cestas, o que dá a medida da baixeza moral, da covardia daqueles que administram o clube, a escória da sociedade, o oposto de outrora.

“É que infelizmente você não vem mais aqui, Caio. Tinha que vir para ver o que essa turma fez com o Fluminense. O que eles fizeram com o futebol, fizeram com o clube. Se ninguém fizer nada, pode acreditar: o Fluminense acaba”, contou uma funcionária com décadas de clube.

Diferentemente de todos que ali estavam, nunca participei da vida política do clube. Sequer voto. Nunca votei. Não é uma virtude. Aprendi com Armando Giesta que nosso lugar é na arquibancada. É lá que sinto bem. Mas hoje admito que se não fizerem alguma coisa, podem acabar com o Fluminense.

Nunca vi tanto lixo junto. Me desculpem pelas palavras fortes e pelo mau humor, mas eu sou assim. Quem gosta de lixo é urubu. E a flusócio. Eu sou tricolor. Estou do outro lado. Parabéns aos torcedores pela iniciativa, e aos funcionários pela dedicação.

Fora, Abad. O Fluminense não precisa de você. Pegue seus trapos e vá pigarrear com o Peter Siemsen. Saiba que todas as vezes que você entra no clube pelo portão principal, os funcionários sentem nojo de você. Foi o que ouvi hoje deles. O Oscar Cox, naquele busto, também. E eles estão cobertos de razão. Você e seus asseclas envergonham nossa história.

Vida norte

(rio Miño… de um lado, Espanha… do outro, Portugal)

 

Vida no norte…

É dança da morte, é vida sem sorte, o sabor de corte…

E a ferida não cicatriza… já não tem cura, nem atura o norte da vida…

Nas fronteiras da terra os trilhos da morte passam por perto, meu rumo é incerto, viver por viver…

Sem gosto da sorte amigos não ter…

E a distância aprofunda o amor ao silêncio,  esse grito contido…

Paixão que inunda me mantém de pé…

Amo você estrela da noite, mensageira brilhante… meu último adeus será Parati…

A solidão é  meu reino, a prostituta é rainha, seus cabelos largos…

Tão bela era França mas o império caiu…

Abaixo as guerras, peço paz nas terras, tudo é sempre possível.

Mas se não me satisfaz vou procurar de novo…

O sentimento incrível onde o amor se desfaz, a violência no povo…

Será  que existe valor se eu não conheço a dor…

Peço clemência acabada a inocência o trem vai partir…

O absoluto é mostro se não te parece…

Pra Roma eu vou…

O trem já partiu.

 

*** 1988 – Galicia  –  Espanha