Talvez (por Antonio Gonzalez)

Talvez eu necessite mais que um abraço…

Talvez eu quisesse mais que um simples sorriso…

Talvez eu sonhasse com dormir no teu colo…

Talvez eu desejasse mais do que um beijo na boca…

Talvez a minha lágrima peça para sorrir…

Talvez na solidão eu veja a tua sombra…

Talvez o meu silêncio imagine o teu grito…

Talvez minha guerra se pinte de branco…

Talvez meu delírio cante Te Amo Fluzão…

Talvez eu ateu rogasse para ouvir a tua prece…

Talvez meu pecado seja o mais inocente…

Mas meu caminho é vazio sem companhia

Realmente eu não preciso de nada…

Porque tenho falta de tudo!

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xxx

Escrevi essas palavras em 3 tempos da minha vida, algumas se encaixaram com outras que se evitavam.  Sem essa de estar deprê ou tangenciando a paranóia… Apenas são reflexões soltas que resolveram somar mentre si.

Todas elas foram transpiradas em Vigo, na Galícia, na Espanha também natal se falarmos de sangue.

Vamos em frente.

Antonio Gonzalez

1ª parte – 11/11/2007

2ª parte – 11/05/2010

3ª parte – 27/08/2010

100% música

Confesso que sou apaixonado por Fito Cabrales que é o bandleader de um grupo espanhol que se chama Fito y Fitipaldis.

Em SOLDADITO MARINERO me encontrei diversas vezes seja por ativa ou por passiva, pelo civil ou pelo criminal. E na fonte das sereias quase sempre me afoguei mesmo sem nunca ter deixado de sentir sede.

A boca seca conjuga o coração frio… o antídoto? O sopro de fé que reacende a brasa…

De resto, deixa o sol queimar até bronzear a alma e encontrar uma lágrima na areia.

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“Soldadito Marinero”

Él camina despacito, que las prisas no son buenas

En su brazo dobladita, con cuidado la chaqueta

Luego pasa por la calle donde los chavales juegan

Él también quiso ser niño pero le pilló la guerra

Soldadito marinero conociste a una sirena

De esas que dicen “Te quiero” si ven la cartera llena

Escogiste a la más guapa y a la menos buena

Sin saber como ha venido te ha cogido la tormenta

Él quería cruzar los mares y olvidar a su sirena

La verdad, no fue difícil cuando conoció a Mariela

Que tenía los ojos verdes y un negocio entre las piernas

Hay que ver que puntería, no te arrimas a una buena

Soldadito marinero conociste a una sirena

De esas que dicen “Te quiero” si ven la cartera llena

Escogiste la más guapa y a la menos buena

Sin saber como ha venido, te ha cogido la tormenta

Después de un invierno malo, una mala primavera

Dime por qué estás buscando una lágrima en la arena

Después de un invierno malo, una mala primavera

Dime por qué estás buscando una lágrima en la arena

Después de un invierno malo, una mala primavera

Dime por qué estas buscando una lágrima en la arena

Quem quiser conhecer mais sobre Fito y Fitipaldis navegue por http://www.fitoyfitipaldis.com/

“Bailaora” (para Emília Massarani) – (Madrid – outubro de 1993)

Bailaora – Las que bailan el Flamenco

Você é água, você é mar…

Você da praia, você é ar.

Você é terra, concreto urbano, bicho do mato, cidade verde…

É pensamento teu firmamento momento especial.

Você é estrela de luar, tua vida é sol, você verão…

Feeling, pele sal… você é zen, teu pé é chão, cigano também…

Teu sangue é dança, é esperança… Baile Flamenco!

Bailaora…

Você fala com as mãos!

Hablan con las manos

Você é rumo, é ideal…

Você a dúvida da pergunta… você aposta na resposta.

É humilde, jamais humilhada…

Cabeça em pé, você mulher de bom coração, tem bom coração, o bom coração!

Você é sexo de prazer, loucuras passadas ficam pra ver…

Você é sorriso universal… você brasileira… etc e tal…

Mulher… você… felinos lábios…

Verdade infinita… infinita a verdade!

Bailaora…

Você fala com as mãos!

As mais lindas torcedoras da face da terra

Vive voando perto do céu, você é Deusa, pecadora talvez…

Olhos que cegam, luz fascinante… Disco-voador tem brilho de amante…

E aqui estou me declarando, você me marcou mas você passou como um furacão…

Porque você é…

Bailaora…

Você fala com as mãos!

Que jamais calem as vozes das mulheres

x – x – x – x – x

Conheci à Emília Massarani em Madrid, em outubro de 1993… De família rica do Paraná, sobrinha neta de um ex presidente do Brasil, havia optado por viver no underground de um bairro chamado “El Rastro”… Formada em Dança pela Universidade do Paraná, depois de assistir ao filme “Carmen”, se apaixonou pelo Baile Flamenco,
largou a vida burguesa no Brasil e escolheu para si descobrir os segredos dessa arte / dança espanhola… Foi viver o seu sonho!

Linda, selvagem, voraz… Pelo visto nunca mais voltou daquelas bandas, fecundando as suas sementes artísticas pela capital espanhola, por toda Europa (basta ver aos inúmeros festivais em que se apresentou).

Através dela e do que lhe escrevi naquela época, dedico este texto a todas as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher.

“Éfe do falar e da força de ser F de Fluminense” (por Antonio Gonzalez – abril/2001)

Felicidade…

É a fagulha que acende o fogo fértil que se traduz em filho da fidelidade momentânea que produz o fruto que resulta do flertar inicial…

É como a fruta que embeleza a fazenda fluindo no verdadeiro sabor da festa da fé…

É Francisco que é santo e rio no ferro da sustentação

e…

Sem a fatalidade dos fracassos que existiram para sempre em feridas que continuam buscando cicatrizes nas fotografias de fases que não podem ser futuro…

e…

Sem ser falso, ocultando a ficção no poder da fala que te transforma em fera…

Igreja de Santo Antonio – São Luiz do Maranhão

Fiel…

Masculino e feminino…

Frasco feroz…

Por vezes, férias…

Faz frio na Finlândia, na França talvez…

Filipinas quem sabe, Fortaleza com certeza…

Fácil, totalmente full, fugaz talvez.

Foi fantasia  com franqueza… foi no Flu que nos conhecemos.

e…

Fluindo a mente e feliz a face na frase fundamental:

NUNCA ESQUEÇA  DE SORRIR!

Francamente bom te conhecer, felizmente teu nome é Fabiola… felina figura, melhor gravura, de São Luiz do Maranhão.

Lençóis maranhenses

Mas o tempo anda para a frente e necessita o fundo da verdade.

F de um FODA-SE dito com freqüência cardíaca explosiva…

Éfe do falar e da força de ser F de Fluminense”

X – X – X – X

Não escrevi para falar do Fluminense… na verdade foi o texto que escrevi para uma mulher de nome Fabíola… Pena que naquele momento faltou tempo.  Sim pode ser que os brutos também amem.

No meu caso foi além do desejo mas o sexo de tão forte assustou a paixão.  Posso dizer que foram palavras que queriam ser de amor.

Jornal dos Sports no início de 1981 quando assumiu uma nova diretoria no Fluminense. Desde então o problema do Fluminense era o modelo de gestão, mas ao contrário… uma quantidade enorme de dirigentes com papos de boleiro e totalmente fanfarrões.

Areia rebelde (por Antonio Gonzalez – Madrid / Galícia – julho/1988)

Sei que os momentos vivos podem ser monumentos mortos…

Como um touro na arena à espera do seu matador.

É toureiro, a areia é rebelde e quem paga quer diversão de sangue.

É o silêncio vazio ao som dos lenços brancos, já rufam tambores… é a espada da lei…

Cortando cabeças de veias pensantes, decepando as veias de cabeças pulsantes.

O calabouço é martírio, mas semeia o não… resistir é preciso ao medo que a vida passe…

E se o trem não parar na próxima estação, o que será de nós?

Loucos sobreviventes, fracos mortos viventes.

A flor não se abre, está suja a água…

A vergonha não é sentimento, o sentimento é uma vergonha…

Será que Woody Allen sonha em preto e branco ou será Leopoldina uma estrada de ferro?

A loucura hoje é outra, outro é o meu pensar… Nas paralelas linhas tortas você disse adeus sem tocar…

Foi delirante sentir o anoitecer em Madrid e nas notas de um milhão dez milhões de vidas mortas.

Quantos Cristos e Chês, quantos Martins e Lennons, quantos Zé da Silva serão necessários… para sentir mesmo que tarde a vinda, mesmo que a vida tarde, o gosto da liberdade?

– x – x – x – x – x –

Escrevi essas palavras no final de julho 1988, numa viagem de regresso a Vigo (Galícia – Espanha), depois de haver passado 3 dias em Madrid.  Havia assistido ao que considero até hoje o maior show da minha vida: “A Momentary Lape of Reason”… Aquele dia mudou a minha vida, aquela viagem me fez refletir de cara ao futuro e com relação a que sempre o meu discurso seria na defesa, nos questionamentos e na luta pelos que vivessem à margem da sociedade.

“El Estadio Vicente Calderón lleno hasta la bandera, y los Pink Floyd que desplegaron toda su sofisticada cacharrería, que porteaban en un montón de trailers. Era la primera vez que se veía en España un espectáculo como aquel. Un concierto espectacular,  perfecto de luz y sonido, con una enorme pantalla de video, redonda, y rematada con luces, donde se proyectan películas, animaciones y diapositivas. Rayos láser, gigantescas esferas, naves luminosas, camas y cerdos voladores, y una estructura sostenida por dos grúas de 50 metros de brazo y 40 toneladas de peso.

650.000 vatios de luz y 370.000 de sonido, Pink Floyd (David Gilmor, NickMason y Richard Wright) presentaron a lo largo de dos horas y media los temas de “A momentary lapse of reason”, junto a los de álbunes míticos como “Dark side of the moon”, “Wish you were here” o “The Wall”. El show terminó con una sesión de fuegos artificiales. Y todo Madrid con la boca abierta…”

“Pink Floyd:

David Gilmor (voz, guitarras), NickMason (batería, voces) y Richard Wright (teclados, voces). Tim Renwick (guitarras), Gary Wallis (percusión), Guy Pratt (bajo), Jon Carin (teclados), Scott Page (saxo), y Rachel Fury, Durga McBroom y Margret Taylor (coros).

Canciones:

·  Shine On You Crazy Diamond (Parts I-V)

·  Signs of Life

·  Learning to Fly

·  Yet Another Movie

·  Round and Around

·  A New Machine (Part 1)

·  Terminal Frost

·  A New Machine (Part 2)

·  Sorrow

·  The Dogs of War

·  On the Turning Away

·  ·  One of These Days

·  Time

·  On the Run

·  The Great Gig in the Sky

·  Wish You Were Here

·  Welcome to the Machine

·  Us and Them

·  Money

·  Another Brick in the Wall Part 2

·  Comfortably Numb

·  One Slip

·  Run Like Hell” 

(http://elladrondetoallas.blogspot.com/2011/10/conciertos.html)

EUropa adEUs (por Antonio Gonzalez – novembro de 1993)

Descia a 200 por hora na estrada da morte, o frio queimava e a minha cara cortava o vento…

Uma voz dizia “chegou tua hora”, é o momento de pular fora, computadores revelam antigos segredos.

Entro na igreja, mas o padre me expulsa, eu queria saber algo de liberdade, ele disse não use preservativos…

Na praça da Candelária uma jovem pedinte catava comida para seus 5 filhos, talvez futuros bandidos.

Quero voltar pro meu país renasSer feliz!

Na velha escola continuam mentindo que Pedro Cabral, caixeiro viajante, foi quem descobriu nossos lares…

Mas em Porto Seguro o pequeno índio pajela gritando “essa selva é nossa MATA de pau Brasil”.

Canetas escrevem penas de morte, terrorismo oficial, negligências de épocas que insistem em regressar…

Somente pedimos saúde e ciência, que acabem as guerras, que acabem doenças… mais um jovem morreu.

Quero voltar pro meu país renasSer feliz!

Meu pai DIZIA para que eu fosse bom e honesto, trabalhador e fiel… eu quis ser assim.

Quando chego em casa, minha mãe chorando na porta do quarto e o armário vazio… PAPAI fugiu com a amante.

Quero voltar pro meu país renasSer feliz!

Para juntos trabalhar, para juntos governar, para juntos fazer algo para ficar… para que nossos filhos não sintam vergonha, nem tenham razão para chorar.

Descia a 200 por hora na estrada da morte, o frio queimava e a minha cara cortava o vento…

Uma voz dizia “chegou tua hora”, é o momento de pular fora, computadores revelam antigos segredos.

(Dedicado a Nando  um jovem de vinte e poucos anos que um câncer levou sem dar-lhe oportunidade de dizer adeus)

Mil, novecentos e noventa e… (uma carta aberta para a minha avó que faleceu em 1945 e que não conheci)

Se pica uma yonkie na Plaza Mayor um pouco de heroína…

Centro de Madrid esperando o replay…

Morre Ceausescu…

Que louco se foi já que o muro caiu…

Esmagando cabeças…

Em Tiananmen… Paraíso perdido em Tiananmen… China…

Desfilam tanques fotos do poder…

E na ilha de Castro suposta invasão…

Disco voador cheio de anfetaminas…

Libertaram Mandela…

Mas em  Sweto favela morriam  negros meninos…

E nas favelas do Rio morriam negros meninos…

Negro menino teu negro destino de menino negro…

Perestroyka ou será a pré história vovó?

Na antiga Yugoslavia um banho de sangue nacionalista…

No centro da Europa não tem petróleo e por pura revanche…

Religiões decidem matar para calar…

Raça branca de pura raça só porca miséria…

Cabeças peladas e mentes carecas… neonazismo… velho fascismo morto o comunismo… quem manda é o capitalismo.

E na Somália… o Deus da guerra é rei…

O Senhor dá a fome… e decide quem come…

Mas em  Sweto favela morriam  negros meninos…

E nas favelas do Rio morrem negros meninos…

Negro menino teu negro destino de menino negro…

Perestroyka ou será a pré história vovó?

1991 (1ª parte) / 1993 (2ª parte) – Madrid – Espanha

Vida norte

(rio Miño… de um lado, Espanha… do outro, Portugal)

 

Vida no norte…

É dança da morte, é vida sem sorte, o sabor de corte…

E a ferida não cicatriza… já não tem cura, nem atura o norte da vida…

Nas fronteiras da terra os trilhos da morte passam por perto, meu rumo é incerto, viver por viver…

Sem gosto da sorte amigos não ter…

E a distância aprofunda o amor ao silêncio,  esse grito contido…

Paixão que inunda me mantém de pé…

Amo você estrela da noite, mensageira brilhante… meu último adeus será Parati…

A solidão é  meu reino, a prostituta é rainha, seus cabelos largos…

Tão bela era França mas o império caiu…

Abaixo as guerras, peço paz nas terras, tudo é sempre possível.

Mas se não me satisfaz vou procurar de novo…

O sentimento incrível onde o amor se desfaz, a violência no povo…

Será  que existe valor se eu não conheço a dor…

Peço clemência acabada a inocência o trem vai partir…

O absoluto é mostro se não te parece…

Pra Roma eu vou…

O trem já partiu.

 

*** 1988 – Galicia  –  Espanha