A ave fênix do Seu Aloysio e a hora de quebrar um tabu (por Antonio Gonzalez)

Foi uma semana chata, daquelas que te reservam notícias tristes para todos os dias.  Do nada o Eduardo Galvão das novelas da Globo, o Ciminelli da Força Flu, o Farid de Nilópolis e da Beija-Flor, o Ubirany do Fundo de Quintal… Pá, pá, pá e pá… De golpe, sem segundas partes.  Todos perdemos um pedaço de nossas vidas, reféns que somos  dos nossos nãos, o não do não fomos capazes de dizer não e o não daqueles que não querem ver qualquer coisa que não seja o não que esconde a vergonha do sim que serviu de opção.

Somados a isso os mais de 180 mil mortos daqueles que não nos são próximos, os anônimos, os descampados da sociedade, aqueles que não tem nenhuma voz além do silêncio. Sem classes, sem cores, sem sexos… no liquidificador do Covid-19 a sugestão de convivência se resume a ser binária: uns vão viver enquanto outros vão morrer. Entre o S.U.S e o Plano de Saúde, o tempero azeda na falta de paladar e sem olfato perde-se o rumo de casa. E da razão de continuar optando a viver.

Pena dos que não aprendem e insistem em não aprender, o Covid-19 é muito mais do que uma gripezinha, é assassino.

Hoje o Fluminense, neste domingo 13 de dezembro, jogará em  São Januário às 20h30, uma partida que traz consigo uma oportunidade única, além dos 3 pontos que nos dariam uma 4ª ou 5ª posição na luta pela classificação para a Libertadores: QUEBRAR UMA ESCRITA QUE OFICIALMENTE EXISTE HÁ 55 ANOS.

As 2 últimas vitórias do Fluminense em São Januário

A última vez em que o nosso Tricolor venceu à equipe cruzmaltina no estádio da Barreira do Vasco foi em 1973.  Foi num desses torneios de verão: “O Torneio Internacional de Verão foi uma competição internacional amistosa de futebol disputada na cidade do Rio de Janeiro em 1973, que teve a participação de quatro equipes, duas argentinas e duas brasileiras, com três rodadas programadas para serem cumpridas, nas quais todas as equipes envolvidas se enfrentariam, sendo campeã aquela que tivesse o melhor aproveitamento.”

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Torneio_Internacional_de_Ver%C3%A3o_do_Rio_de_Janeiro_de_1973)

O Argentino Juniors, o Atlanta, o Vasco e o Fluminense, foram os clubes participantes.  Todos os jogos foram em São Januário. Acompanhei o meu PAI e os meus tios aos 3 jogos.  O Tricolor começou vencendo ao Atlanta por 1 a 0, posteriormente empatou em 1 a 1 com o Argentino Juniors.  A final contra o Vasco, que também trazia 1 vitória e 1 empate na campanha, foi decidida a nosso favor com um gol do Lula, certamente o melhor ponta esquerda ofensivo que vi jogar.  Campeões sim, mas não era uma competição oficial.

Lula, o ponta artilheiro. Sensacional camisa 11 puro. Jogador honesto com a nossa camisa
Campeão, mas esse time acabou nessa competição. o 1º turno do Carioca foi um fiasco, a equipe foi obrigada a passar por uma grande transformação: Bruñel, Pintinho, Kleber, Rubens Galaxe, Marquinhos, Dionísio e Manfrini, jogaram e foram titulares. O Duque assumiu o comando da equipe.

Portanto temos que voltar mais no tempo para falar de uma vitória OFICIAL sobre os vascaínos em São Januário. Foi num domingo, 7 de novembro de 1965.  Os 2 gols de Amoroso decidiram o jogo a nosso favor.

Amoroso, um PANZER, um 9 dos de antes. Hoje seria jogador de grande clube europeu
Fim de ciclo (fomos campeões em 1964). Dessa escalação somente o Denilson chegou ao time de 1969.

1965 foi um ano fraquinho, de bom apenas a conquista do Torneio Início, numa final contra a mulambada. Esse torneio tinha suas regras singulares… 3 empates decididos nos pênaltis… Campo Grande, América e Flamengo ficaram pelo caminho. Essa foi a única taça naquele tempo de transição.

Vivendo e aprendendo… Eu só vi o Torneio Início de 1978

Achei acertada a escolha do Marcão que foi alvo das minhas críticas em 2019.  Continuo pensando que é fraco, mas diante do que o mercado de ocasião proporciona, pelo menos já sabe como rema o remo que lhe dão e permitem.  Recebe o time cuja classificação é melhor do que a do ano passado, mas o elenco é pior e envelhecido.  Vai ter que administrar o vestiário que peca por excesso de veterania.

Desejo que o Marcão tenha uma big estreia, seria a confirmação do Fluminense como sério aspirante à disputa de uma vaga para a Libertadores 2021.   O segundo grande barato seria empurrar o Vasco de cara ao abismo, criando alicerces profundos com o Z-4.

Por último, a quebra dessa escrita, 47 ou 55 anos são muitos, essa batalha merece mais do que nunca o espírito do VENCER OU VENCER.

Vencer ou Vencer, SEMPRE!!!

Em 1998, no dia seguinte ao terceiro rebaixamento seguido do Fluminense, vitimado pelos inoperantes presidentes Gil Carneiro e Álvaro Barcellos (a HISTÓRIA NÃO SE INVENTA), o Tricolor Aloysio Aureo de Carvalho, pela manhã cedinho dirigiu-se ao Maracanã para a sua caminhada matinal, o que fazia habitualmente.

Só que aquela manhã que deveria significar para muitos a morte do Fluminense, para alguns poucos significava o recomeço.

E um desses poucos era o Seu Aloysio, que como GUERREIRO não pensou 2 vezes em exibir, durante as suas voltas olímpicas ao Estádio Mario Filho, a sua sagrada armadura para a batalha da reconstrução: o manto universal, a CAMISA DO FLUMINENSE.

Máximo Respeito

Questionado se o Tricolor havia chegado ao seu fim, retrucou de forma impositiva: o Fluminense ressurgirá como a ave Fênix.  22 anos depois o Fluminense, mesmo mal administrado, continua vivo.

Seu Aloysio

Seu Aloysio acaba de nos deixar, mais uma grande perda que esta semana amargamente nos presenteou. Fez a passagem como o GUERREIRO que é.

Graças a PAIS Tricolores como o Seu Aloysio e o meu PAI,  o Fluminense é ETERNO.

A Fênix

O sábado resolveu marcar presença, vítima de complicações derivadas do Mal de Alzheimer, o Escurinho, jogador que marcou época no Fluminense, faleceu. Conquistou os Campeonatos Carioca de 1959 e 1964, além dos Torneio Rio-São Paulo em 1957 e 1960.

Escurinho, ÍDOLO do meu PAI

Quando meu PAI escolheu ao Fluminense, o Escurinho era uma das referências do clube: 490 jogos e 110 gols. Um time fantástico!

Este time alcançou a maior série invicta do Fluminense no Campeonato Carioca. 32 jogos sem perder entre 1959 e 1960. Em pé: Clóvis, Jair Marinho, Edmílson, Altair, Castilho e Pinheiro. Agachados: Maurinho, Paulinho, Waldo, Telê e Escurinho

Não poderia deixar passar em branco o 50º aniversário da Torcida Young Flu. 50 anos não são 50 dias. Toda uma HISTÓRIA construída. Um forte abraço para o Armando Alcoforado, um dos seus fundadores. O Fluminense deve muito às suas Torcidas Organizadas.

Seu Armando, acima de tudo FLUMINENSE! Tem o meu máximo respeito.

A vida é assim e eu sou o contrário do assim do assado. A cegueira assusta, de tão absurdamente invidente, escolho a distância, aposto na avenida do eu sozinho.

Para o meu amigo Marcelão, filho do Seu Aloysio, um forte abraço.

E a música para encorpar esse texto somente poderia ter uma escolha: PAI

A introdução emociona

Uma resposta para “A ave fênix do Seu Aloysio e a hora de quebrar um tabu (por Antonio Gonzalez)”

  1. Muito bem elaborado este texto sobre o Fluminense. O autor prestou uma justa homenagem a um grande tricolor, que foi Aloysio Áureo de Carvalho.
    Aloysio, um homem extremamente bom, foi um exemplo a ser seguido por todos que o conheceram. Por onde passou deixou amigos. As sementes que ele tão bem plantou em nossos corações, germinaram ,formaram pequenas árvores, que cresceram e deram excelentes frutos, que hoje são colhidos por familiares e amigos sinceros e verdadeiros. Tenho certeza, que hoje lá no céu, bem pertinho do Nosso Senhor, ele está orando por todos nós. Um dia nos reencontraremos no plano espiritual e poderemos matar as saudades que ele nos deixou.

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