1968 (por Antonio Gonzalez – maio de 1988)

AI-5

Em 1968 aquela gente captou uma nova onda…
Já que não sintonizavam com as rádios da época.
E aquele blá blá blá não lhes dizia sim…
Verde oliva que de esperança nada tinha.
Amargo era o tempo, felicidade não conheciam.

Tem passeata dos 100 mil…
Mataram Edson Luiz…
Lá no Calabouço “cala a boca moço”.

Passeata dos 100 mil
Velação do corpo de Edson Luís, estudante assassinado pela repressão

Na avenida Rio Branco, faroeste lá na Cinelândia…

A porrada comia e ninguém fugia!
Jovens adolescentes, já falavam como gente grande.
Muda de nome, clandestinidade, marca um ponto às 9 e abre o olho para não cair…
Sequestra o embaixador, liberdade no exílio…

E na luta armada muitos se cortaram…
Na sala de tortura o rei é o pau de arara, o pau de arara é rei.

Vladimir Palmeira na Cinelândia
40 presos políticos libertados em troca do embaixador da Alemanha em 1970
Torturado no pau de arara

Como um fósforo usado sem luz própria para viver…
Restaurantes cheios, gritos, fomes e sedes…
A música e um cigarro aceso, meus pensamentos vacilam.

Meu sol é chuva que é água…
Que não morre, escorre, muda de lugar…
Histórias de um passado mas o meu rádio canta igual…

O tempo passou tanta coisa mudou…
Novamente aqui tanto tempo depois.

Precisa de legenda?
Manifestantes se aglomeram durante discurso improvisado do presidente Jair Bolsonaro discursa, na tarde deste domingo (19), em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília. Bolsonaro foi ao local enquanto acontecia uma manifestação a favor da intervenção militar e pelo fechamento do Congresso Nacional. Assim que o presidente chegou ao local, cerca de 200 militares do Exército fizeram um cordão de isolamento. 19/04/2020 – Foto: GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO

Em maio de 1988, então morando na Espanha, tive quer vir ao Brasil para resolver uns documentos que tinham que ser emitidos pelo Consulado Espanhol do Rio de Janeiro. Viagem curta de 10 dias.
No dia do regresso, já no Aeroporto Internacional, comprei o livro do Zuenir Ventura “1968 – O ano que não terminou”.

O avião ainda não havia pousado em Madrid, eu havia terminado a leitura.
Num pedaço de papel escrevi “1968” que era uma soma do livro do Zuenir Ventura com “Os Carbonários” do Alfredo Sirkis… para o contextualizar precisei “roubar” uma frase da canção “Calabouço” do Sérgio Ricardo: “cala a boca moço”…

Hoje, remexendo em velhos papéis reencontrei, 32 anos depois, esse meu HUMILDE texto.

Zuenir Ventura continua vivo, mas o Alfredo Sirkis e o Sérgio Ricardo nos deixaram recentemente.

Dedico essas palavras a eles, incluindo nessa simples homenagem, com o meu MÁXIMO RESPEITO, as figuras do Vladimir Palmeira, do Cid Benjamim e do Carlos Minc.

Calabouço – Sergio Ricardo

Termino por aqui refletindo a música “”El tiempo pasa” cuja composição é do Pablo Milanés e a interpretação é da imortal Mercedes Sosa:

EL TIEMPO PASA

El tiempo pasa
Nos vamos poniendo viejos
Yo el amor
No lo reflejo como ayer
En cada conversación
Cada beso cada abrazo
Se impone siempre un pedazo
De razón
Vamos viviendo
Viendo las horas
Que van pasando
Las viejas discusiones
Se van perdiendo
Entre las razones
Porque años atrás
Tomar tu mano
Robarte un beso
Sin forzar el momento
Hacía parte de una verdad
Porque el tiempo pasa
Nos vamos poniendo viejos
Yo el amor
No lo reflejo como ayer
En cada conversación
Cada beso cada abrazo
Se impone siempre un pedazo
De razón
A todo dices que sí
A nada digo que no
Para poder construir
Esta tremenda armonía
Que pone viejo los corazones
Porque el tiempo pasa
Nos vamos poniendo viejos
Yo el amor
No lo reflejo como ayer
En cada conversación
Cada beso cada abrazo
Se impone siempre un pedazo
De temor

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