Areia rebelde (por Antonio Gonzalez – Madrid / Galícia – julho/1988)

Sei que os momentos vivos podem ser monumentos mortos…

Como um touro na arena à espera do seu matador.

É toureiro, a areia é rebelde e quem paga quer diversão de sangue.

É o silêncio vazio ao som dos lenços brancos, já rufam tambores… é a espada da lei…

Cortando cabeças de veias pensantes, decepando as veias de cabeças pulsantes.

O calabouço é martírio, mas semeia o não… resistir é preciso ao medo que a vida passe…

E se o trem não parar na próxima estação, o que será de nós?

Loucos sobreviventes, fracos mortos viventes.

A flor não se abre, está suja a água…

A vergonha não é sentimento, o sentimento é uma vergonha…

Será que Woody Allen sonha em preto e branco ou será Leopoldina uma estrada de ferro?

A loucura hoje é outra, outro é o meu pensar… Nas paralelas linhas tortas você disse adeus sem tocar…

Foi delirante sentir o anoitecer em Madrid e nas notas de um milhão dez milhões de vidas mortas.

Quantos Cristos e Chês, quantos Martins e Lennons, quantos Zé da Silva serão necessários… para sentir mesmo que tarde a vinda, mesmo que a vida tarde, o gosto da liberdade?

– x – x – x – x – x –

Escrevi essas palavras no final de julho 1988, numa viagem de regresso a Vigo (Galícia – Espanha), depois de haver passado 3 dias em Madrid.  Havia assistido ao que considero até hoje o maior show da minha vida: “A Momentary Lape of Reason”… Aquele dia mudou a minha vida, aquela viagem me fez refletir de cara ao futuro e com relação a que sempre o meu discurso seria na defesa, nos questionamentos e na luta pelos que vivessem à margem da sociedade.

“El Estadio Vicente Calderón lleno hasta la bandera, y los Pink Floyd que desplegaron toda su sofisticada cacharrería, que porteaban en un montón de trailers. Era la primera vez que se veía en España un espectáculo como aquel. Un concierto espectacular,  perfecto de luz y sonido, con una enorme pantalla de video, redonda, y rematada con luces, donde se proyectan películas, animaciones y diapositivas. Rayos láser, gigantescas esferas, naves luminosas, camas y cerdos voladores, y una estructura sostenida por dos grúas de 50 metros de brazo y 40 toneladas de peso.

650.000 vatios de luz y 370.000 de sonido, Pink Floyd (David Gilmor, NickMason y Richard Wright) presentaron a lo largo de dos horas y media los temas de “A momentary lapse of reason”, junto a los de álbunes míticos como “Dark side of the moon”, “Wish you were here” o “The Wall”. El show terminó con una sesión de fuegos artificiales. Y todo Madrid con la boca abierta…”

“Pink Floyd:

David Gilmor (voz, guitarras), NickMason (batería, voces) y Richard Wright (teclados, voces). Tim Renwick (guitarras), Gary Wallis (percusión), Guy Pratt (bajo), Jon Carin (teclados), Scott Page (saxo), y Rachel Fury, Durga McBroom y Margret Taylor (coros).

Canciones:

·  Shine On You Crazy Diamond (Parts I-V)

·  Signs of Life

·  Learning to Fly

·  Yet Another Movie

·  Round and Around

·  A New Machine (Part 1)

·  Terminal Frost

·  A New Machine (Part 2)

·  Sorrow

·  The Dogs of War

·  On the Turning Away

·  ·  One of These Days

·  Time

·  On the Run

·  The Great Gig in the Sky

·  Wish You Were Here

·  Welcome to the Machine

·  Us and Them

·  Money

·  Another Brick in the Wall Part 2

·  Comfortably Numb

·  One Slip

·  Run Like Hell” 

(http://elladrondetoallas.blogspot.com/2011/10/conciertos.html)

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