EUropa adEUs (por Antonio Gonzalez – novembro de 1993)

Descia a 200 por hora na estrada da morte, o frio queimava e a minha cara cortava o vento…

Uma voz dizia “chegou tua hora”, é o momento de pular fora, computadores revelam antigos segredos.

Entro na igreja, mas o padre me expulsa, eu queria saber algo de liberdade, ele disse não use preservativos…

Na praça da Candelária uma jovem pedinte catava comida para seus 5 filhos, talvez futuros bandidos.

Quero voltar pro meu país renasSer feliz!

Na velha escola continuam mentindo que Pedro Cabral, caixeiro viajante, foi quem descobriu nossos lares…

Mas em Porto Seguro o pequeno índio pajela gritando “essa selva é nossa MATA de pau Brasil”.

Canetas escrevem penas de morte, terrorismo oficial, negligências de épocas que insistem em regressar…

Somente pedimos saúde e ciência, que acabem as guerras, que acabem doenças… mais um jovem morreu.

Quero voltar pro meu país renasSer feliz!

Meu pai DIZIA para que eu fosse bom e honesto, trabalhador e fiel… eu quis ser assim.

Quando chego em casa, minha mãe chorando na porta do quarto e o armário vazio… PAPAI fugiu com a amante.

Quero voltar pro meu país renasSer feliz!

Para juntos trabalhar, para juntos governar, para juntos fazer algo para ficar… para que nossos filhos não sintam vergonha, nem tenham razão para chorar.

Descia a 200 por hora na estrada da morte, o frio queimava e a minha cara cortava o vento…

Uma voz dizia “chegou tua hora”, é o momento de pular fora, computadores revelam antigos segredos.

(Dedicado a Nando  um jovem de vinte e poucos anos que um câncer levou sem dar-lhe oportunidade de dizer adeus)

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